Mundo em Perigo – sonho ou pesadelo

dating business model Noite agitada, acordo de um sonho, quase pesadelo de tão lindo, colorido e gigantesco: flutuava numa nave interestelar, a velocidade incalculável, e passava pelos arredores de Saturno, Jupiter, Urano e Netuno, com suas cores inusitadas de mares de amônia, oceanos de metano, tempestades de ácido sulfúrico, nuvens psicodélicas de argônio, alvoreceres e crepúsculos de gases inóspitos e exóticos, um universo completamente inimaginável e incabível para minhas pobres retinas de inseto. A nossa Terra azulzinha minguava, um pontinho perdido nas miríades de pontinhos perdidos nas miríades de galáxias, pontinhos perdidos nas miríades de sistemas de universos, pontinhos perdidos nas miríades de big-bangs, acordei com calor, sede arfante e coração agitado… Nenhuma gota de água no chuveiro, nenhum pingo na torneira. Amanhecia, em meio aos gritos distantes dos milhares de noias perdidos em labirintos de crack, a nossa megalópole imensa, seca, suja, maltrapilha e mergulhada em seu sono ilusório , em aparente calma, caminhando para o colapso total, que os políticos preferiram nem comentar, horas atrás, em seus agressivos debates inúteis de vespera da eleição. Olho pela janela da noite, nas ruas o caotico e ridículo emaranhado de postes e cabos eletricos, transformadores e fibras ópticas por onde flui toda a recente modernidade ilusória. Dos ítens supérfluos aos componentes mais essenciais, tudo se igualava em míseros bits, naquele emaranhado, dos games aos “posts”, dos “likes” e “tweets”, passando pelas notícias, pela cultura, pelo poder, pelo crime, pelos acessos bancários, controles de estoques, pedidos, compras, vendas e entregas, passando por ali também todos os exames clínicos, os controles hospitalares, UTIs, medicamentos, transfusões de sangue, oxigênio, catéteres,todos os sinais vitais e de esperança, todas as creches, escolas, asilos, industrias, empresas, produção de alimentos, cameras frigoríficas, usinas de combustíveis, siderurgicas, companhias eletricas, usinas atomicas, todas as demais logísticas, todos os processos, governos e eleições de urnas suspeitamente infalíveis e inverificáveis, tudo dependendo da volátil eletronica, de frágeis microchips por toda a parte, nas geladeiras, televisores, nos telefones, nos carros, nos navios, nos caminhões, nos aviões, nos trens, nos metros, nos ônibus, nas vans, tudo desprotegido, e o Deus Sol, milenarmente cultuado como benfazejo astro supremo, nascia no horizonte com sua beleza ígnea, agora uma coroa de labaredas assassinas, agora transformado em inimigo gigantesco, implacável da Vida, efeito Carrington, por obra da imprudencia humana, jamais tão vulnerável em toda a nossa saga, desde os primórdios da História. Uma lambida eletromagnética, da mesma magnitude do que ocorrera em 1859… ( esta, ao menos, nos foi reportada, pois o mundo já entrava na Era de eletricidade…mas quantas existiram antes ? )
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempestade_solar_de_1859
Extinção cíclica, eis a essência da Vida. Um jornal velho esvoaça ao vento, na rua deserta. Uma foto das represas secas, esturricadas, cena dantesca de uma imbecilidade monumental. Retrato de uma humanidade perdulária, preguiçosa e comodista, como eu, e todo povo que acreditou, como eu, na água como um insumo inesgotável. Eu mesmo, que um dia escreví uma ode ao ciclo da água, estava cantando a perenidade e beleza desse elemento, quanta ilusão. Vejo hoje tudo secar, um calor insuportável , mais e mais a cada verão , a cada ano, e agora essa caatinga no Sudeste, os rios sem piracema, as culturas de frutas e grãos indo pro beleléu , as cidades atulhadas de gente sem banho, idade da pedra. Resta-nos esperar. Resta a mim, na minha “miragem sobrenatural” de quem já fez, comprovadamente, ( com milhares de testemunhas ) a chuva ir embora, tantas vezes, nos shows ao ar livre, clamar :
Agora é sério !
Sou eu, o cara do Planeta Água ! Estou solicitando, encarecidamente à Diretoria : COMECE A CHOVER IMEDIATAMENTE, e só pare quando eu mandar ! .
Dito isso, então voltei para a cama, e fui dormir sossegado. Final da mensagem, Cambio.

webinar opzioni binarie obs : anotem bem a data e o horário.
se desta vez a pajelança der certo, me aguardem em 2018… !

http://sat-rent.de/deribbebe/17070 ( 31 de Outubro de 2014 )

Pedro comigo na Womex

go here …saber que a gente fez um sonho acontecer…
a gente estava lá, olhem só a felicidade que foi estarmos no Womex, na exótica Galícia, na legendária Santiago, Cidade da Cultura…
Nosso cantinho do Coaxo, tão encantador, ficou lindo, muito atraente com uma enorme mangabeira de cara para o estúdio, com certeza pela essência que representa, a qualidade total desde o conceito, sabermos que é um paraíso plantado na Terra, plantado acima de tudo dentro de nós.
Pedro, quanta gratidão por voce existir ! Gratidão â Vida por termos tempo e iniciativa de vivermos o que nós vivemos nessa viagem !
Aliás, todos os meus filhos, a tudo que a vida me deu, muita gratidão sempre !
Tivemos um momento inesquecível em nossas vidas.
Estamos muito cansados, mas muito felizes. Eu, em especial, que ví tudo isso acontecer, que construí com as minhas mãos sempre machucadas de trabalhador incansável, a reação generalizada das pessoas, de boca-aberta para esse lugar onde tudo converge para um sonho que é mundial : a música. E podermos levar isso a um evento de convergência de sonhos de tantas gentes de tantos povos…Que lindo !
Hoje, mais do que nunca, o sonho da musica pode-se dizer que tem um ninho perfeito para crescer…
E jamais morrer.
Com toda certeza, acho que sou o cara mais realizado deste mundo .

binäre optionen live ( 28 de Outubro de 2014 )

Estava na Womex e lembrei de Márcia

Broker Recensione* Caratteristiche* Fai Trading #1: broker di opzioni binarie per i cittadini statunitensi: Deposito minimo 10€! Deposito: 10€ Profitto: 91%* Conto demo Gratuito di 10.000 Márcia,
Parte deste texto foi escrito em Santiago de Compostela, na Galicia, um lugar tão especial para nós, completando uma jornada trabalhosíssima, muito cansativa mas gratificante, junto com Pedro, um super-fiel-escudeiro da minha , da nossa causa nobre, no Womex…
Eu queria dizer pra você o quanto eu te amo.
Em cada viela, em cada laranjeira, em cada pracinha, em cada fonte de água corrente, em cada tapería, em cada tortilla, em cada copo de vinho desta deliciosa Pátria de Seu Olegário, tão acolhedora e verdadeira em suas qualidades, em seu sangue caliente, em seu dia a dia de trabalho e de luta.
A Galicia, com suas florestas de pinheiros e álamos, suas plantações de milho, de parreiras, os pequenos paióis de pedra, símbolos dessa terra generosa, me faz lembrar tanto de você, meu amor.
Marcia, nunca ninguém despertou o que voce despertou em mim.
Como seu pai dizia pra mim, em nosso segredo entre homens de caráter, de homens honrados, você era uma jóia na vida de Seu Olegário.
Ele se referia a você como uma preciosidade, que eu sabia muito bem o que significava.
Confessei então, para êle , o quanrto você significava, sempre significou para mim.
Hoje, andando pelas vielas de Santiago , no coração da Galícia, lembrei o quanto isto aqui significa para nós, numa caminhada muito particular de nossas vidas, essa peregrinação que nunca cessa.
Muito da minha vontade de revisitar a Galícia, agora numa feira maluca de musica independente do mundo, foi dedicada â memória de tudo o que vivemos nas nossas férias pela maravilhosa Espanha !
Em qualquer lugar onde eu estiver, vou sempre levar você comigo, como uma jóia que a vida me legou, para eu cuidar com o mesmo zêlo com que vou cuidar dos meus sonhos mais preciosos !

follow site ( 28 de Outubro de 2014 )

Julio Barroso

http://flywind.com.br/bakester/7925 30 anos se passaram. Não é mero saudosismo, porque hoje eu vivo o melhor tempo da minha vida, disparado !
Há 30 anos, bem por esta época do ano, eu andava atordoado com a súbita e absurda morte do amigo Júlio Barroso.
Um transformador, de fulgurante trajetória como estrela no universo pop, Julio foi um Midas ( na mais excelente acepção desse título ) da criatividade. Presto aqui, e em qualquer lugar, agora e sempre, minhas homenagens. Muito já se falou a respeito dessa morte, e às vezes, em nome do mito de uma “transgressão geracional”, ( já li em algum lugar, em alguma bosta de “biografia polêmica” que me recuso a citar aqui) de uma forma gratuitamente chocante e vulgar.
Julio era fino, elegante, sutil e amoroso, um lorde, um verdadeiro poeta. (tive o privilégio de conviver com ele e com Paulo Leminski, vejam só…) Na minha vida, muito particularmente, Julio amplificou as sensuais aragens libertadoras da poesia, da vanguarda mallarmaica, rimbaudiana, kerouacquiana, a urgência e a alegria do pensamento veloz, vulcânico, generoso e puro, sem a maldade do pragmatismo utilitário, um lançador de cometas e de super-novas nos insondáveis Universos abissais da mesmice…
Outro dia, postei que adoro uma música do The Cure, “Push” , de um disco que saía justamente em agosto de 85, um ano depois, quando eu já estava morando no Rio…. ( The Head on the Door ). Não foi por acaso. Eu pensei que fosse, mas é a mais óbvia sincronicidade…Serendipidade…No refrão, o genial Robert Smith diz : “Go, Go, Go…Push him away…! … Go,Go, Go, Don’t let him stay… !!!” , como a me advertir para a absoluta urgência da vida, ainda mais diante da morte, uma sensação recorrente ( para quem entende o que eu quero dizer ) que nos empurra, de trambolhão e sem a menor sutileza, para o momento seguinte de nossas existências. A morte soa como um alarme, seja a morte física de um amigo, parente, ídolo , de um animal de estimação, ou mesmo a morte simbólica de uma relação, a morte de uma situação de trabalho, a morte de uma situação de amizade, a morte de uma auto-imagem, a morte de um projeto, de um negócio, a morte de uma fase, de uma ótica de vida, de uma ilusão, morte de uma inocência, de um vício, de uma mania, morte de um ceticismo, morte de uma crença, é sempre a morte que acompanha a vida, em permanente paradoxo metafísico . E viver é justamente o dom de se transformar, estar em movimento de superação, e de eterna imperfeição. Só a morte parece perfeita, estática, como um ponto final. Mas nem mesmo ela, em sua perfeita beleza estática, consegue estancar o Processo, do qual ela é apenas um elo na corrente…Dêem a isso o nome que quiserem…Pra mim tudo serve : o materialismo ateu ou o espiritualismo de qualquer religião, tudo faz todo sentido do mundo para mim, que é de não haver nenhum sentido diante da morte. Naquele momento, eu, que já havia experimentado esse baque , essa impulsão da morte tantas vezes, e dela já havia tirado partido em tantas, tantas fases de reconstrução da minha vida, eu percebia muito bem que, mais do que a perda absurda e inesperada de um amigo tão querido, havia chegado a mais um doloroso rito de passagem. Quantas vezes pude compartilhar da genialidade de Julio Barroso… E como ele era genial e generoso, quantas vezes eu também pude ser genial e generoso para com Julio, tendo o privilégio de ajudar em seu processo criativo, me doando em criações e momentos brilhantes de parceria, Julio me tinha como uma espécie de guru…Que boa lembrança ! Também a profunda amizade com sua irmã, a querida Denise… que partiria também, anos mais tarde, depois de dedicar um livro maravilhoso ao irmão poeta… Por causa dessa(s) morte(s), eu me atiraria corajosamente ao meu destino, assinaria com a CBS, metendo a cara de vez ( e sem nenhum medo de ser feliz, sem melindres com o “sucesso”) no pop que eu tão bem havia aprendido a fazer ( e muito havia aprendido justamente com Julio ) e mudaria para o tão sonhado ( e juliobarroseano) Rio de Janeiro, para o ensolarado Posto Seis na divisa de Copacabana com o Arpoador, tendo trezentos graus de mar nas janelas, desde o Pão Açúcar, Copa, Forte, Diabo, Arpoador, Ipanema e Leblon até os Dois Irmãos e o Vidigal lá no finzinho do horizonte…E, por esses dias, nesta época do ano, tendo à janela o mar azul, o sol dos verões, a festa dos transatlânticos e os barcos da Colônia de Pesca do Posto 6, na minha vitrola do quarto-estúdio onde ficava o piano, (e onde eu faria um “caminhão de hits” duradouros, eternos… ), não parava de tocar o The Cure : “Go, Go, Go”…””Go,Go, Go”…

click here ( 7 de Agosto de 2014 )

Presente

musique du film rencontre du 3e type Presente…

follow site O melhor presente, pra mim,e não só de aniversário (pois fazemos aniversário todos os dias) é encontrar uma pessoa tão procurada, como eu encontrei Márcia. Compartilhando e descobrindo sempre a vida, na simplicidade que abrilhanta e faz reluzir o dia a dia. Podermos ser eternamente jovens no amor, com a paixão serena que nos reconstrói e nos restaura, paixão harmoniosamente isenta do conflito interior, que hoje sei avaliar fruto da ilusão supérflua. Viver a verdade, que Márcia me ensina todos os dias, que me deu segurança e só me dá muita alegria. Esse é o melhor presente que eu poderia querer, como sempre me dizia o pai dela :
Márcia é uma jóia. Com certeza, ele tinha toda razão !

(28 Julho de 2014 )

Mundo de desperdício

Falei que este é um mundo de desperdício. É fato inquestionável.
O retrato disso é a realidade biológica, probabilística…
Para cada um de nós existirmos, se fosse o universo menos “hostil” do que é, um espermatozoide bastaria.
Mas não é assim, para a mãe-natureza. Ela quer o seu objetivo, custe o que custar, doa a quem doer…
299.999 seres humanos ( e isso por baixo, bem no mínimo de espermograma, heim ? ) em potencial, mortos, já no ato da criação de um : é assim que funciona, também com cachorro, gato, tartaruga, mosquito, cobra, baleia, gafanhoto, etc..
E quem sou eu para criticar ?

(17 de Julho de 2014 )

Onde Estava Você

Quero agradecer a todas as manifestações de carinho e as curtidas por efeito do Clip de Onde Estava Voce…Fizemos um humilde retrato descompromissado da “cena de rua” de São Paulo, cena que se multiplica em muitas cidades brasileiras, de uma juventude perdida, que procura na atividade lúdica um sentido para a vida nas grandes cidades, numa época perversa de falta de oportunidades reais, de desencantamento e de angústia. É uma juventude bela e idealista, mas descrente e crítica com uma sociedade falsamente inclusiva. A juventude brasileira assiste a uma crise de valores que é mundial, mas em muitos aspectos é específica da Terra Brasilis. No caso da cena de rua de SP, é um fenômeno que vem na esteira de um profundo processo de mudança das relações de uso do espaço urbano. De uma capital industrial, ( que nem é mais , com a descentralização, a migração para outras áreas por incentivos fiscais e operacionais ) São Paulo vem se transformando em uma capital de uso lúdico , como também ocorreu com Londres, Paris e Nova York. É uma indústria também, que fabrica dinheiro com o “hype” cultural e a movimentação feérica nas ruas. São Paulo reproduz um “clima de Woodstock” a cada semana, explodindo nas ruas uma multidão de rastas, punks, rappers, hypsters, gblts, moicanos, descoletes e playboys, estudantes, bancários, operários, motoboys, desocupados, desempregados sem perspectiva ( a maioria ), e muitos etceteras e tais… O retrato desse Clip é de desesperança, mas de paradoxal esperança. Lançamos, de propósito, nas vésperas da Virada Cultural de SP, como uma homenagem. Uma homenagem a essa juventude, a essa multidão de performáticos, que tem tantos recursos incríveis da era digital, mas que se sente dispersa com tanta informação e possibilidades impossíveis…e que procura nas ruas algo que aconteça de transformação da sociedade, e que valha a pena viver para se viver. É uma juventude que não tem as barricadas de Paris de 68, que não tem Bossa Nova, nem Tropicália nem Jovem Guarda, que não tem Godard, Antonioni, Visconti nem Pasolini, que não tem Mutantes, nem Jean Genet, que não tem Hendrix incendiando o palco e a propria vida, que não tem Janis se imolando no proprio Blues, que não tem Morrison caindo em tropego desencanto no palco, que não tem Sargent Peppers, nem Banquete dos Mendigos, que não tem Iacanga nem Arembepe, que não tem Baby, Pepeu, Moraes, Galvão, Boca, que não tem Sergio Sampaio botando seu Bloco na Rua, que não tem Tony Tornado na BR3, que não tem Walter Franco nem Mautner, nem Macalé nem Melodia, que não tem o Pasquim, que não tem Bonjour Tristesse, nem Alegria, Alegria, que não tem Aldous Huxley, nem Helio Oiticica nem Glauber, nem Plinio Marcos, Andy Warhol nem Basquiat, que não tem Easy Rider, que não tem Sex Pistols nem Clash, que não tem Jack Kerouac nem Julio Barroso, nem Cazuza, nem Renato Russo, que não tem um monte de coisa…

MAS TEM TUDO ISSO GUARDADO NO PEITO, TRAZ TUDO ISSO MUITO VÍVIDO E PRESENTE NO BRILHO DOS OLHOS, e se vai pra rua ´é pra se reconhecer no olhar dos demais, na angustia dos demais, na feérica busca dos demais.

Por mais que a minha geração tenha vivido um tempo incrível de transformações claras e perceptiveis na sociedade, e ter muitas memórias , e ser feliz por isso, a gente olha essa cena atual e se pergunta : O que é isso ? O que quer realmente dizer ? E o que VAI dizer para o futuro ? E o que vai ficar ? Pra onde vai caminhar ?
Um tempo extremamente paradoxal, de grandes milagres, maravilhas e desafios, de perversões e um profundo desencanto, enfim, de uma inacreditável confusão….

Por tudo isso, minha homenagem :

Onde Estava Você ????????????

( Maio de 2014 )

Daniel

Estão me cutucando com críticas e provocações na internet porque agora tenho a honra de aparecer tocando e me emocionando no clip de Daniel. Devo dizer que ali está registrada uma emoção de verdade, com o arranjo orquestral tão bonito, com o encontro tão digno, com a interpretação intensa e sincera, e ainda com muitos significados adicionais. Daniel me contou que quando era adolescente foi a vários shows meus, de ônibus, e eu pude num segundo ter a dimensão do que é representar algo de verdade na história de uma pessoa, como êle, que faria história também. Uma história admirável de luta, com muitos momentos difíceis, de integridade e persistência nas provações. E a música entra na sua vida com esse significado de superação…Naqueles momentos no estúdio, me passou um flashback. Pude ver que o tempo passou, mas que tudo valeu a pena. Me fez me olhar em perspectiva, como se estivessemos sempre começando as nossas carreiras, quem diria…que tanta coisa estava por acontecer, essa benção de tantas décadas, de marcar vidas…Dinheiro ? Sucesso ? Glórias ? Tudo é irrelevante, perto de marcar vidas.
Acho que marcamos um golaço nessa parceria ! Parabéns, meu novo e querido amigo !

(23 de Abril de 2014 )

 

a Fé

 

Em primeiro lugar, estou fora de polêmicas, não pretendo afirmar aqui, em nenhum momento, que desdenho de qualquer tipo de crença. Vou fazer, sim, uma reflexão sobre as minhas próprias pequenezas e ignorâncias. Falo só sob a ótica da minha limitada visão. Ou sobre a minha ausência de visão. Ninguém pode proferir um julgamento sobre as visões, ou ausências de visão dos outros. Cada um tem seu próprio Universo.
Quando indagado sobre temas espirituais, hoje afirmo, convicto, que “nada sei”, e portanto, também não duvido de nada. Intuo que a iluminação seja simples, e que esteja no esvaziamento da mente. Me percebo fortemente inclinado à “filosofia do anti-conhecimento místico”, como se fosse uma opção pela fé máxima, tão grande que nem coubesse em mim, pura aceitação do mistério total, profunda renúncia às maiores pretensões humanas do “saber”, fundamentos inerentes ao “acreditar na perfeição”. Nesse campo, a meta seria estarmos tão preenchidos que não existisse mais nada, senão o vazio, o vácuo do pensamento. Teólogos e cientistas sempre concordaram e se esmeraram na discussão de que a fé difere da ciência, de forma inconciliável, justamente porque a fé depende de uma aceitação prévia de algum grau de iniciação, alguma adesão a um “conhecimento tácito”, enquanto a ciência duvida por princípio e precisa de todo um arcabouço de razoabilidade para estabelecer qualquer idéia como “lei”. E mesmo estabelecida a “lei científica”, ela vigorará apenas e tão somente até qualquer prova em contrário, e esses desmoronamentos ocorreram, implacáveis, durante toda a história do conhecimento. A ciência é, por definição, sempre provisória. A fé se propõe a ser definitiva. Uma, aposta no erro até acertar, enquanto a outra aposta apenas no acerto sem chances de errar. São algoritmos diferentes na cibernética do pensamento. A ciência crê que é falível, a fé parte da premissa da infalibilidade. Porém, acreditar é uma coisa só. É assumir uma idéia, é endossar um sistema de pensamentos que nos parece razoável, que nos foi provado por a + b ( no caso da ciência ) ou que nos foi legado por tradição, por alguma questionável “comunicação ancestral”. Tanto a fé quanto a ciência têm suas formas (diversas) de acreditar. A fé duvidosa quer, e muito, abarcar a ciência, e tentar conciliar o conhecimento com a divindade. Já a ciência abre mão de abarcar a fé, e alega não precisar da divindade, porque só acredita em erros e acertos. A divindade apresenta um sério problema no Universo tão vasto e insondável quanto movediço e imperfeito : a divindade não teria erros. Pretensão tão miseravelmente humana. Por definição, a divindade é um conceito infinitamente inalcançável e absoluto. Perfeita e desprovida de tensões, de pendências, é atemporal, para alguns de nós é imutável e não tem mais em que se aperfeiçoar, enquanto para outros é dinâmica e está em constante aperfeiçoamento. Contradições em curto-circuito perpétuo. A divindade é onipresente, insondável e incompreensível em sua grandeza e poder. Quanto mais se tente chegar a uma “compreensão”, a uma plenitude de conhecimento, maiores serão os mistérios da divindade, e isto ocorre por definição intrínseca, necessária e suficiente para que a divindade fosse o Ser Regente do Universo. Qualquer divindade é assim, dêem a Ela o nome que quiserem.
Então olho, com todo respeito que me foi ensinado, e até me deslumbro, sem esquecer que muitas vezes fui “tocado” em “visões” (e às quais não dou margem de contestação, são só minhas), perante um templo, uma Catedral em Londres, em Nova Iorque, um mosteiro do Oriente, uma sinagoga, uma mesquita do Levante, que fosse uma pequena capelinha de interior ou uma imensa basílica histórica, uma pirâmide, como um primata hominídeo perante um monolito no filme de Stanley Kubrick, e não consigo não me perguntar, milhares de vezes :
O que é aquilo ? O que, de verdade, está ali ? Aquilo é a casa de Quem ? O que as pessoas que o construíram, e as pessoas que vão ali, materializam naquele lugar ? Aquilo é um monumento dedicado a quê, ou a Quem ? São monumentos ao Desconhecido ? Representações da pequeneza humana ? Ou seriam monumentos à divina pretensão da “Grandeza Humana”? Sei que vão me espinafrar, e com “toda a razão”, mas a “razão” é tudo que NÃO está nesses lugares. Ali estaria algo que chamamos de fé. E quem é que jamais teve, no fundo de sua “alma”, questionamentos e perguntas como estas ? Qualquer divindade não gostaria muito mais de quem fizesse essas perguntas ?

(10 de Janeiro de 2014 )

Balanço no Natal de 2014

Cobranças e respostas de final de ano…
Em 2014 vou procurar os meios para prosseguir a minha independência no mundo.
Vou esperar menos respostas de um mundo que já não existe mais.
Vou ter paciência com os fãs que cobram mais resultados, que me acusam de estar ausente da “grande mídia”, que dizem “ter saudades” de mim, que eu deveria isso, que eu deveria aquilo, que eu poderia fazer “x”, que eu poderia conseguir “y”… Em 2013 simplesmente tivemos o que conseguimos, se não fizemos mais é porque o mundo respondeu uma porção de “nãos” pra gente.
Em 2014, “vou acreditar” nos incentivos e elogios dos apresentadores da grande mídia, que dizem que são amigos, falam que são muito fãs da gente, abertamente, e até no ar, mas não dispõe de espaço pra gente ir lá cantar. Esses mitos, principalmente televisivos, são prisioneiros de uma busca desesperada pela audiência, e não podem descolar o olho do audienciometro. Tenho pena deles, na mesma medida que eles não têm a menor condescendência com a gente, e mantêm as portas para o público hermeticamente fechadas. Em 2014 eu prometo continuar indo adiante, não desanimando. Todos sabem os programas de TV que disseram um “não” rotundo para mim, este ano, uma verdadeira vergonha. Até mesmo depois de ganhar o melhor disco do ano no Multishow, com um produto independente na melhor acepção do termo, por um selo caseiro, totalmente familiar e humilde, de forma espetacular, meritória, mas surpreendente. Sou citado sempre como “referência”, como “sucesso”, como “grande Guilherme Arantes!” … Calouros me escolhem para seu caminho ao sucesso, jurados rasgam o verbo, todo mundo “paga pau”, me sinto uma unanimidade, mas é só um passado glorioso. No presente, o que encontramos são ( algumas ) portas fechadas, e acabou. Nem preciso citar nomes aqui. Preciso, sim, dizer que estou pouco me lixando para a mera lembrança desses nomes. Porque isso ocorre só numa parte miserável da “grande mídia”. Agradeço, e muito, os canais, as pessoas e apresentadores que se abriram, que deram espaço, sempre generoso… Esse espaço foi precioso pra mostrar que não estou morto, e que, mais do que nunca, temos o que dizer. Não nos espaços miseráveis, onde não podemos opinar sobre coisa alguma, mas só cantar pílulas de 2 minutos de grandes sucessos…Engraçado, não é ? Em muitos programas de “debates” com freqüência chamam “celebridades” enfeitadas, de araque, ícones da fama que não têm nada a dizer …Quando eu era mais moço, mais tímido, ainda bem que nem existia nenhum espaço pra falar…Era entrar, caitituar a música de trabalho e ir embora. Ainda bem, porque eu ficava muito nervoso na TV…Hoje, tudo são os “talk shows”…E deu pra nos sairmos muito bem, em 2013. O que pudemos fazer, foi dez !!! Quem viu, viu… Com a idade, há um declínio visual, mas há um crescimento na articulação, na sabedoria, na cara-de-pau pra falarmos e principalmente pra pensarmos em publico…Por isso mesmo, hoje, nos shows, a constatação crescente é de que nunca estive tão bem, com a voz inteira e incrível, todos os dias alcançando notas dignas de Jon Anderson do Yes… as histórias de canções e de vida fazendo de cada show uma celebração que marca vidas…As musicas novas, do novo disco, encontrando um eco, uma receptividade inédita na carreira de 40 anos. Muitos colegas cantores e compositores vivem essa mesma realidade. E eles são muito talentosos, inspirados, muito numerosos, e enfrentando muitas dificuldades numa mídia perversa, uma mídia muitas vezes “do mal”… Em 2014, vamos ficar antenados no sobe-e-desce, na troca das cadeiras do mundo. O tempo e a verdade são implacáveis. Vamos estar de pé. Quantos impérios e potentados caíram nestes 40 anos de trajetória…O importante é que não temos medo. Desculpe aí se frustrei expectativas, mas o que foi possível, a gente conseguiu. O que a gente não conseguiu, é porque o mundo disse “não”.
Continuaremos com “a arte de sorrir cada vez que” isso acontece. Fecho o ano agradecendo a sorte de não ter entrado em roubadas, nem ter sido apunhalado ao vivo, como um colega recentemente, ao ter sua vida pessoal devassada de forma espúria, inaceitável…tudo em nome da “sagrada audiência”…E lembrem-se bem: prefiro não citar nomes. Aqui, ficou tudo muito bem subentendido…Feliz Natal !

( 25 de Dezembro de 2013 )