Natais passando como dias

Mais um final de ano, mais um Natal, um Reveillon, e a vida vai se sucedendo num fragor incontrolável, em disparada, a vida vai indo de roldão, num alucinado, descontrolado ritmo …
…às vezes vem um calafrio em mim…
Porque não temos medo ?
Porque não temos alternativa, ou porque TEMOS um viés de confiança espiritual. Sâo duas maneiras de encararmos essa realidade.
De qualquer forma, nessa desabalada carreira, nesse mundo louco, nessa vida louca, vamos seguindo em frente, como dizem magistralmente os poetas Almir Sater e Renato Teixeira em sua canção eterna, primorosa.
No ano que vem, prometo escutar mais essa canção…

( 9 Dez 2014 )

O meu, o nosso Tom Jobim

Vejo Tom como o mestre maior das harmonias caleidoscopicas.
Digo isso porque já me aventurei inumeras vezes, quebrando a cabeça para adivinhar milimetro por milimetro cada passo ousado no encadeamento dos acordes, conseguindo tirar de ouvido as complexidades cromáticas, eu, que não fui nativo da tradição do samba-canção e nem da bossa nova, enfrentei cara a cara esse desafio, sem nenhuma partitura, cifra ou professor, nem mesmo disco para ouvir como referencia, me obriguei simplesmente a adivinhar, e reconstruir Tom, de dentro pra fora, somente pela essencia, não sabendo direito a musica, tentando propor o caminho, eu teria que ser capaz de re-compor da estaca zero, sem erro nem enganação o que de mais genial ele poderia ter feito, se subiria, se desceria, um jogo infinitesimal de poliedros, piramidal em seu rigor geometrico. Um arquiteto nato, de estruturas sucintas, de cristais preciosos em sequencia alucinada. Surpresas a cada passo. Improbabilidades do praticamente impossível. Só assim eu decifraria o Tom Jobim. E posso dizer que consegui tantas vezes, com muita dificuldade porque o Mestre era danado de sutilezas e detalhes.
Aquelas mãos carregavam uma artesania de um Da Vinci, sem muito virtuosismo exibicionista, humilhavam todos os wannabes como eu.
Enquanto isso, flutuando sobre esse universo complexo, flutuavam as mais doces e brasileirissimas melodias, existenciais e pungentes…
com Tom incorporado em mim pude perceber o quão pequeno e aprendiz eu sempre seria.
Analiso suas obras com o espanto perante uma genialidade lancinante. Absorveu Chopin, Debussy, Ravel, Villa Lobos e a monumental dimensão do Jazz, cool e elegante, coloquial em sua erudição fina, gauche na sua displicência transgressora, na obra e na vida.
E é por isso tudo que, 20 anos depois daquele dia de uma perda indescritível para mim, estou aqui chorando de saudade de você, Tom.

( 8 de Dezembro de 2014 )

20 anos sem Tom

Ha 20 anos eu ia para o Rio com absoluta urgencia para os funerais de Tom. Morria um pouco de mim, para viver eternamente como o grande pai de todos nós. Tom genial, bem humorado e generoso, inteligente e engraçado, o mais jovem de todos, um charme mundialmente consagrado. Me lembro de embarcar na Ponte Aerea em estado de choque, e encontrar a Leila Pinheiro no avião, e como irmãos atados misteriosamente naquela paternidade de Tom…fomos ao Jardim Botanico e fiquei inconsolavel ao lado do caixão com o corpo do meu ídolo maior. Era como se fosse o meu pai que estava ali, tão doce, tão incentivador, inesquecível. Tom adorava Coisas do Brasil, e me dirigiu palavras de muita consideração em relação às harmonias e melodias.
Tom, 20 anos depois eu sinto tanto a sua falta como ser humano… Só de saber que no mundo ainda respirava o mesmo ar desse espirito luminoso, ainda era um alento… Mas sinto a
sua presença por toda parte. Em tudo que eu sonhar pela vida, vou ser sempre grato por ter voce como idolo maior.

( 7 de Dezembro de 2014 )

Dizer “eu te amo”

Nunca devemos deixar de tornar explicito o nosso amor.
Sempre externar. Nunca supor ou deixar subentendido apenas por timidez ou egoismo tolo , sovina de generosidades, discrição elegante que se recusa a ser vulgar…
O amor é aberto, desavergonhado e livre, para se manifestar sem limitação social, convenções de etiqueta, sem fingimento ou jogo de cena…sem planejamentos , táticas, estratégias, é solto no tempo e no espaço, como o canto de um pássaro, um vento quente anunciando a nova estação, natural como as flores sem pudores que desabrocham sem censuras, o amor é pra ser o nosso território sagrado de liberdade e coerencia .
Por isso, a necessidade urgente de dizermos que amamos. E não é somente no “especialismo” de uma pessoa. Claro que tudo começa com o amor verdadeiro por uma pessoa. Abrem-se as sinapses da generosidade. A partir de então, passa ao compartilhamento.
Um mundo perdoado.
Eis a felicidade, e é tão fácil de se conquistar.
Basta começar imediatamente a pronunciar a frase, desde que verdadeira,
…eu te amo…

( 17 de Novembro de 2014 )

Ro-Ro

Angela RoRo !

Quando eu estava na WEA de Midani, gravando com Liminha no Estudio Transamérica com músicos incríveis, entre eles os lendários Robson Jorge, Jamil Joanes, Paulinho Braga, Milton Cobrinha, e até o monstro Lincoln Olivetti, tinha uma cantora no estudio B causando sensação, mostrando ao piano músicas geniais, e Liminha me chamou a atenção, me apresentou, era uma diva com certeza, a Angela RoRo, que viria a estourar logo em seguida…
Fiquei chocado com o conjunto, a figura, música, letra, piano, atitude completamente gauche, muito brasileira em sua negligente elegância, uma gênia.
Hoje escuto com MUITA alegria suas novas criações, no rádio inclusive, sempre com destaque, e fico super feliz !

( 11 de Novembro de 2014 )

Ed Motta

Ter encontrado Ed Motta, logo pós seu show curto, mas monumental, que era parte da programação oficial da Womex, em Compostela, foi um privilégio sem classificação possível… Ed Motta me recebeu, junto com Pedro, meu filho, em seu camarim, ainda resfolegante, quente das luzes e das estrelinhas de seu palco mágico. Vejo que Ed me trata como uma sumidade, me olha sempre com um olhar meigo, doce, puro, que poderia ser de um filho amado…Isso é sempre uma coisa que me marca muito, porque é um músico extraordinário, que sabe tudo na ponta dos dedos, no toque de sua voz inacreditável , com suas melodias e ritmos riquissimos. Suas harmonias trabalhadas, no melhor conceito de um “must” de nível nem internacional : legendário. Foi um dos momentos mais felizes, assim como sempre são meus encontros com Ed. Um mestre, um monstro, garoto ! Como é bom ter amigos assim !

(9 de Novembro de 2014 )

Mundo em Perigo – sonho ou pesadelo

Noite agitada, acordo de um sonho, quase pesadelo de tão lindo, colorido e gigantesco: flutuava numa nave interestelar, a velocidade incalculável, e passava pelos arredores de Saturno, Jupiter, Urano e Netuno, com suas cores inusitadas de mares de amônia, oceanos de metano, tempestades de ácido sulfúrico, nuvens psicodélicas de argônio, alvoreceres e crepúsculos de gases inóspitos e exóticos, um universo completamente inimaginável e incabível para minhas pobres retinas de inseto. A nossa Terra azulzinha minguava, um pontinho perdido nas miríades de pontinhos perdidos nas miríades de galáxias, pontinhos perdidos nas miríades de sistemas de universos, pontinhos perdidos nas miríades de big-bangs, acordei com calor, sede arfante e coração agitado… Nenhuma gota de água no chuveiro, nenhum pingo na torneira. Amanhecia, em meio aos gritos distantes dos milhares de noias perdidos em labirintos de crack, a nossa megalópole imensa, seca, suja, maltrapilha e mergulhada em seu sono ilusório , em aparente calma, caminhando para o colapso total, que os políticos preferiram nem comentar, horas atrás, em seus agressivos debates inúteis de vespera da eleição. Olho pela janela da noite, nas ruas o caotico e ridículo emaranhado de postes e cabos eletricos, transformadores e fibras ópticas por onde flui toda a recente modernidade ilusória. Dos ítens supérfluos aos componentes mais essenciais, tudo se igualava em míseros bits, naquele emaranhado, dos games aos “posts”, dos “likes” e “tweets”, passando pelas notícias, pela cultura, pelo poder, pelo crime, pelos acessos bancários, controles de estoques, pedidos, compras, vendas e entregas, passando por ali também todos os exames clínicos, os controles hospitalares, UTIs, medicamentos, transfusões de sangue, oxigênio, catéteres,todos os sinais vitais e de esperança, todas as creches, escolas, asilos, industrias, empresas, produção de alimentos, cameras frigoríficas, usinas de combustíveis, siderurgicas, companhias eletricas, usinas atomicas, todas as demais logísticas, todos os processos, governos e eleições de urnas suspeitamente infalíveis e inverificáveis, tudo dependendo da volátil eletronica, de frágeis microchips por toda a parte, nas geladeiras, televisores, nos telefones, nos carros, nos navios, nos caminhões, nos aviões, nos trens, nos metros, nos ônibus, nas vans, tudo desprotegido, e o Deus Sol, milenarmente cultuado como benfazejo astro supremo, nascia no horizonte com sua beleza ígnea, agora uma coroa de labaredas assassinas, agora transformado em inimigo gigantesco, implacável da Vida, efeito Carrington, por obra da imprudencia humana, jamais tão vulnerável em toda a nossa saga, desde os primórdios da História. Uma lambida eletromagnética, da mesma magnitude do que ocorrera em 1859… ( esta, ao menos, nos foi reportada, pois o mundo já entrava na Era de eletricidade…mas quantas existiram antes ? )
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempestade_solar_de_1859
Extinção cíclica, eis a essência da Vida. Um jornal velho esvoaça ao vento, na rua deserta. Uma foto das represas secas, esturricadas, cena dantesca de uma imbecilidade monumental. Retrato de uma humanidade perdulária, preguiçosa e comodista, como eu, e todo povo que acreditou, como eu, na água como um insumo inesgotável. Eu mesmo, que um dia escreví uma ode ao ciclo da água, estava cantando a perenidade e beleza desse elemento, quanta ilusão. Vejo hoje tudo secar, um calor insuportável , mais e mais a cada verão , a cada ano, e agora essa caatinga no Sudeste, os rios sem piracema, as culturas de frutas e grãos indo pro beleléu , as cidades atulhadas de gente sem banho, idade da pedra. Resta-nos esperar. Resta a mim, na minha “miragem sobrenatural” de quem já fez, comprovadamente, ( com milhares de testemunhas ) a chuva ir embora, tantas vezes, nos shows ao ar livre, clamar :
Agora é sério !
Sou eu, o cara do Planeta Água ! Estou solicitando, encarecidamente à Diretoria : COMECE A CHOVER IMEDIATAMENTE, e só pare quando eu mandar ! .
Dito isso, então voltei para a cama, e fui dormir sossegado. Final da mensagem, Cambio.

obs : anotem bem a data e o horário.
se desta vez a pajelança der certo, me aguardem em 2018… !

( 31 de Outubro de 2014 )

Pedro comigo na Womex

…saber que a gente fez um sonho acontecer…
a gente estava lá, olhem só a felicidade que foi estarmos no Womex, na exótica Galícia, na legendária Santiago, Cidade da Cultura…
Nosso cantinho do Coaxo, tão encantador, ficou lindo, muito atraente com uma enorme mangabeira de cara para o estúdio, com certeza pela essência que representa, a qualidade total desde o conceito, sabermos que é um paraíso plantado na Terra, plantado acima de tudo dentro de nós.
Pedro, quanta gratidão por voce existir ! Gratidão â Vida por termos tempo e iniciativa de vivermos o que nós vivemos nessa viagem !
Aliás, todos os meus filhos, a tudo que a vida me deu, muita gratidão sempre !
Tivemos um momento inesquecível em nossas vidas.
Estamos muito cansados, mas muito felizes. Eu, em especial, que ví tudo isso acontecer, que construí com as minhas mãos sempre machucadas de trabalhador incansável, a reação generalizada das pessoas, de boca-aberta para esse lugar onde tudo converge para um sonho que é mundial : a música. E podermos levar isso a um evento de convergência de sonhos de tantas gentes de tantos povos…Que lindo !
Hoje, mais do que nunca, o sonho da musica pode-se dizer que tem um ninho perfeito para crescer…
E jamais morrer.
Com toda certeza, acho que sou o cara mais realizado deste mundo .

( 28 de Outubro de 2014 )

Estava na Womex e lembrei de Márcia

Márcia,
Parte deste texto foi escrito em Santiago de Compostela, na Galicia, um lugar tão especial para nós, completando uma jornada trabalhosíssima, muito cansativa mas gratificante, junto com Pedro, um super-fiel-escudeiro da minha , da nossa causa nobre, no Womex…
Eu queria dizer pra você o quanto eu te amo.
Em cada viela, em cada laranjeira, em cada pracinha, em cada fonte de água corrente, em cada tapería, em cada tortilla, em cada copo de vinho desta deliciosa Pátria de Seu Olegário, tão acolhedora e verdadeira em suas qualidades, em seu sangue caliente, em seu dia a dia de trabalho e de luta.
A Galicia, com suas florestas de pinheiros e álamos, suas plantações de milho, de parreiras, os pequenos paióis de pedra, símbolos dessa terra generosa, me faz lembrar tanto de você, meu amor.
Marcia, nunca ninguém despertou o que voce despertou em mim.
Como seu pai dizia pra mim, em nosso segredo entre homens de caráter, de homens honrados, você era uma jóia na vida de Seu Olegário.
Ele se referia a você como uma preciosidade, que eu sabia muito bem o que significava.
Confessei então, para êle , o quanrto você significava, sempre significou para mim.
Hoje, andando pelas vielas de Santiago , no coração da Galícia, lembrei o quanto isto aqui significa para nós, numa caminhada muito particular de nossas vidas, essa peregrinação que nunca cessa.
Muito da minha vontade de revisitar a Galícia, agora numa feira maluca de musica independente do mundo, foi dedicada â memória de tudo o que vivemos nas nossas férias pela maravilhosa Espanha !
Em qualquer lugar onde eu estiver, vou sempre levar você comigo, como uma jóia que a vida me legou, para eu cuidar com o mesmo zêlo com que vou cuidar dos meus sonhos mais preciosos !

( 28 de Outubro de 2014 )

Julio Barroso

30 anos se passaram. Não é mero saudosismo, porque hoje eu vivo o melhor tempo da minha vida, disparado !
Há 30 anos, bem por esta época do ano, eu andava atordoado com a súbita e absurda morte do amigo Júlio Barroso.
Um transformador, de fulgurante trajetória como estrela no universo pop, Julio foi um Midas ( na mais excelente acepção desse título ) da criatividade. Presto aqui, e em qualquer lugar, agora e sempre, minhas homenagens. Muito já se falou a respeito dessa morte, e às vezes, em nome do mito de uma “transgressão geracional”, ( já li em algum lugar, em alguma bosta de “biografia polêmica” que me recuso a citar aqui) de uma forma gratuitamente chocante e vulgar.
Julio era fino, elegante, sutil e amoroso, um lorde, um verdadeiro poeta. (tive o privilégio de conviver com ele e com Paulo Leminski, vejam só…) Na minha vida, muito particularmente, Julio amplificou as sensuais aragens libertadoras da poesia, da vanguarda mallarmaica, rimbaudiana, kerouacquiana, a urgência e a alegria do pensamento veloz, vulcânico, generoso e puro, sem a maldade do pragmatismo utilitário, um lançador de cometas e de super-novas nos insondáveis Universos abissais da mesmice…
Outro dia, postei que adoro uma música do The Cure, “Push” , de um disco que saía justamente em agosto de 85, um ano depois, quando eu já estava morando no Rio…. ( The Head on the Door ). Não foi por acaso. Eu pensei que fosse, mas é a mais óbvia sincronicidade…Serendipidade…No refrão, o genial Robert Smith diz : “Go, Go, Go…Push him away…! … Go,Go, Go, Don’t let him stay… !!!” , como a me advertir para a absoluta urgência da vida, ainda mais diante da morte, uma sensação recorrente ( para quem entende o que eu quero dizer ) que nos empurra, de trambolhão e sem a menor sutileza, para o momento seguinte de nossas existências. A morte soa como um alarme, seja a morte física de um amigo, parente, ídolo , de um animal de estimação, ou mesmo a morte simbólica de uma relação, a morte de uma situação de trabalho, a morte de uma situação de amizade, a morte de uma auto-imagem, a morte de um projeto, de um negócio, a morte de uma fase, de uma ótica de vida, de uma ilusão, morte de uma inocência, de um vício, de uma mania, morte de um ceticismo, morte de uma crença, é sempre a morte que acompanha a vida, em permanente paradoxo metafísico . E viver é justamente o dom de se transformar, estar em movimento de superação, e de eterna imperfeição. Só a morte parece perfeita, estática, como um ponto final. Mas nem mesmo ela, em sua perfeita beleza estática, consegue estancar o Processo, do qual ela é apenas um elo na corrente…Dêem a isso o nome que quiserem…Pra mim tudo serve : o materialismo ateu ou o espiritualismo de qualquer religião, tudo faz todo sentido do mundo para mim, que é de não haver nenhum sentido diante da morte. Naquele momento, eu, que já havia experimentado esse baque , essa impulsão da morte tantas vezes, e dela já havia tirado partido em tantas, tantas fases de reconstrução da minha vida, eu percebia muito bem que, mais do que a perda absurda e inesperada de um amigo tão querido, havia chegado a mais um doloroso rito de passagem. Quantas vezes pude compartilhar da genialidade de Julio Barroso… E como ele era genial e generoso, quantas vezes eu também pude ser genial e generoso para com Julio, tendo o privilégio de ajudar em seu processo criativo, me doando em criações e momentos brilhantes de parceria, Julio me tinha como uma espécie de guru…Que boa lembrança ! Também a profunda amizade com sua irmã, a querida Denise… que partiria também, anos mais tarde, depois de dedicar um livro maravilhoso ao irmão poeta… Por causa dessa(s) morte(s), eu me atiraria corajosamente ao meu destino, assinaria com a CBS, metendo a cara de vez ( e sem nenhum medo de ser feliz, sem melindres com o “sucesso”) no pop que eu tão bem havia aprendido a fazer ( e muito havia aprendido justamente com Julio ) e mudaria para o tão sonhado ( e juliobarroseano) Rio de Janeiro, para o ensolarado Posto Seis na divisa de Copacabana com o Arpoador, tendo trezentos graus de mar nas janelas, desde o Pão Açúcar, Copa, Forte, Diabo, Arpoador, Ipanema e Leblon até os Dois Irmãos e o Vidigal lá no finzinho do horizonte…E, por esses dias, nesta época do ano, tendo à janela o mar azul, o sol dos verões, a festa dos transatlânticos e os barcos da Colônia de Pesca do Posto 6, na minha vitrola do quarto-estúdio onde ficava o piano, (e onde eu faria um “caminhão de hits” duradouros, eternos… ), não parava de tocar o The Cure : “Go, Go, Go”…””Go,Go, Go”…

( 7 de Agosto de 2014 )