Clip na Espanha

Eu concluí finalmente a edição do primeiro Clip rodado na viagem pela Espanha. Ficou um absurdo, de longe o melhor que já fiz… Um roteiro de quase 6000 km, passando por 23 cidades, por todas as regiões ( com pequenas exceções porque a Espanha é muito grande e variada ) mas vocês vão gostar muito…especialmente pelo resgate de uma parcela de sonoridades do Moto Perpétuo, minhas origens do tempo de Universidade, a Historia da Arte da FAU…
Tudo ambientado no tórrido verão espanhol, durante a Copa do Mundo do ano passado. Essa idéia desse clip era antiga, e a escolha da música é um outro resgate importante…
Uma edição ( com toda modéstia ) primorosa, meticulosa, que me deu muito, mas muito trabalho mesmo…
A escolha dos takes foi um labirinto, já que o material gravado que trouxemos da Espanha ( em 4 HDs backups, um em cada mala ) quase chegava a 1 Tera…
Não vou entrar em detalhes, por hora…
É um Clip/documentário com 12 minutos de duração, uma verdadeira “viagem” marcada por cenas e episódios miraculosos de profunda espiritualidade. A musica é muito especial…aposto que alguns de voces sabem qual é…
E tem mais :
O lançamento desse Clip marcará a chegada (dentro de alguns dias) do LP – Vinil – do CD Condição Humana, que terá a adição de um compacto ( também em vinil ) com essa faixa-bônus.
Vocês vão gostar !

( 03 de fevereiro de 2015 )

A Era das Biografias e d´Os Musicais…

Há uma onda, sempre uma onda, de trazerem de volta todos os ídolos carismáticos e misteriosos de outros tempos, ídolos controvertidos por suas vidas pessoais e suas confusões, que rendem bons roteiros para biografias e musicais (e toda sorte de derivativos) que aguçam a curiosidade e o voyerismo de uma época vazia de controvérsias, uma época presente, “flat” e medíocre em seus pragmatismos e em seus pragmáticos funcionais, uma época de utilitarismo e de muita reciclagem de todo conteúdo que se viveu em cortantes, lancinantes “épocas analógicas de verdade”…
Num tempo presente muito peculiar , vejo os ícones de vidas sanguíneas, verdadeiras e acidentadas se transformarem sequencialmente numa miríade de clones e emulações, rendendo bilheterias milionárias de “homenagens” e de “tributos”…
Tributos válidos, sim, e mais do que justificáveis. São nossos heróis.
Até aqui, tudo muito bem… Mas eis que o “mercado” exploratório tenta confundir o público e o senso crítico mais elementar, numa segunda “onda”, fazendo o resgate de outros mitos secundários, que, com potencial escandaloso e/ou mórbido, possam apresentar elementos similares de polêmica, em prosaicas vidas de pura auto-destruição… Sabem bem ao que me refiro.
Devo dizer que, tanto em relação a Cazuza, Renato Russo, Elis, Simonal e muito especialmente Tim Maia, jamais ví esses meus ídolos derrotados ou entregues ao infortúnio .

Neles, a Vida triunfou, e essa é a sua maior beleza. Foram vencedores até o último instante. Tim Maia, por exemplo, faleceu em cima do palco, fazendo exatamente o que gostava de fazer : shows.
Nunca ví o Tim Maia por baixo, muito pelo contrário.
É bom que essa onda cuide de não diluir nossos maiores ídolos numa enxurrada de “biografias” e de “Os Musicais”, já que um panteão dessa grandeza poucos podem , de verdade, compartilhar.
Querem algumas sugestões ? : Taiguara , Marku Ribas, Itamar Assumpção, Johnny Alf…
Esses, sim , merecem um “reavivamento”, de todo o talento que deixaram no mundo, talento coberto de mistérios.

( 20 de Janeiro de 2015 )

 

Geração 2000

Uma geração perdida ?… repleta de lindos sonhos em vão ?
Anteontem eu estava no carro, na Estrada do Côco, e tocou no radio uma canção que há alguns anos atrás eu simplesmente adorava, e me bateu uma tristeza de nostalgia utópica, de tempos recentes…Era símbolo de um sonho que eu ansiava ver acontecer, na cena do pop rock nascente na Bahia, e eu me identificava alí, era um som viável de uma nova juventude urbana, que eu pensava ver em ascensão um dia, talvez numa novela, num seriado, no cinema, e me lembrei então que, de tantas possibilidades, a mais provável foi a que mais vingou, que era ( e sempre foi ) de simplesmente não acontecer nada e tudo morrer na praia…
Ora, em vão eu garanto que não foi, já que eu estava ouvindo no rádio, e eu estava chorando, lindamente, interna e externamente, com aquela canção:
Aguarraz , “Bem Mais Leve”…
https://www.youtube.com/watch?v=B0MhQr6iRrY
mas aquele insight me fez refletir o quanto a música do Brasil continua eternamente sendo a pátria absolutíssima do desperdício. Aliás, no mais, tudo por aqui respira e transpira o mais puro desperdício…Pensei, com tristeza e preocupação, na geração de nossos filhos, cercada de todo tipo de facilidades hightech, mas desprovida de oportunidades reais, uma juventude mergulhada num processo complexo de inclusão social e de competições desleais, encontrando um precaríssimo mercado de mão de obra pulverizado, de baixa remuneração e de péssimas contrapartidas a tantos pre requisitos, tantas exigências…O que aconteceu, o que está acontecendo com os nossos filhos, que pegaram, que estão pegando de frente tamanha realidade perversa ? O culto generalizado da ignorância, a boçalização, a rarefação dos meios de comunicação de massa e o pragmatismo utilitário fizeram dessa geração tão interessante uma geração perdida, que já se encaminha célere para os 35, 40 anos de idade sem que eles tenham experimentado uma única onda favorável, se compararmos com os gloriosos anos 50, 60, 70, ou com os generosos anos 80…e isso faz muita diferença…
Faz deles uma galera niilista, melancólica, desapegada, com um pé atrás até mesmo em relação ao proprio brilho…
E pensar que nessa geração tinha – e ainda tem – tanta coisa legal …

(27 de Dezembro de 2015 )

Paradoxo de Fermi

http://gizmodo.uol.com.br/paradoxo-fermi

Cosmologia, Cosmogonia, “inutilidades supérfluas”,elocubrações pretensiosamente explicativas à luz cambaleante da mais pura razão, o tipo de papo que, francamente, humildemente, eu adoro…

Vejo como, num passar de ano novo (como o que vivemos agora), em que o mundo se compraz em admirar-se de sua pseudo-grandeza, de tantas esperanças e desejos, gratidões explodindo nos fogos de Sidney, nas festas feéricas de Nova York a Pequim, a explosão de todos os povos vestidos de branco,das praias de Copacabana, de Miami ou de Lisboa, de todos os brilhos e paetês de Paris, das pistas de Ibiza às luzes do Hyde Park, as praças de Milão,salões de Viena, os muitos brindes de Barcelona e Madrid, os frenesís de Dubai, de AbuDhabi, as luzes da Baía de Toquio, a grande celebração da fartura e da tão volátil riqueza humana, em que os espíritos se elevam a gratidões e votos de felicidade e comunhão com as forças supremas que nos regem, percebo o quanto é pequenininha a nossa realidade. Um arrabalde do Universo, nosso reveillon é o mero espoucar de uma pipoquinha infinitesimal, um traque, estalinhos de salão num Cosmos onde um gigantismo de reveillon é a toda hora, a toda parte, desde todos os big bangs, e essa imensidão deveria existir e explodir (de) dentro de nós.

( 31 de Dezembro de 2014)

Fornalha

Passei pelo Rio ontem, que calor é esse ?
No Brasil inteiro, é mesmo um brasil, um abafa insuportável.
Tantos verões no Rio, sempre foi quente, mas não desse jeito.
São Paulo, então, virou uma estufa com temporais imprestáveis, uma mistura perversa de seca com enchente, nunca se viu nada igual….
E ainda há pessoas descrentes que atribuem o aquecimento global a interesses hegemonicos, manipulações…
Viram a capa dos grandes jornais de ontem ? O relatório da Nasa, que elegeu 2014 o ano mais quente da história…
De minha parte, não estou aguentando a fornalha, inclusive a que encontrei na Espanha e também em Toquio !

Não sei o que vai ser do mundo daqui a 10 anos, nessa toada, uma filial do inferno !

( 18 de Janeiro de 2015 )

Lincoln Olivetti

 

Lincoln Olivetti, O Mestre, O Mago, foi levar “lá para a Diretoria” novos arranjos, com certeza lá no Éden, onde é o seu lugar.
Nosso querido “Véio” , um gênio que eu reconheço como O Melhor.
Tive inúmeras oportunidades de cruzar e trocar figurinhas com ele…
Eu sempre olhei para Lincoln como um desafio, um mistério, além de uma figura humaníssima em suas idiossincrasias.
Sou de uma geração que aprendeu muito com ele, um líder nato, esquisitão e temperamental.
Brindou as trajetórias de centenas de artistas com a sua arte, seu compromisso com a objetividade e qualidade.
Mãos dotadas do milagre, caneta mágica iluminando as partituras com seu condão.
Nunca tive arranjos assinados por ele, devido à minha “pretensão solitária”, devido ao meu ciúme doentio de querer sempre fazer eu mesmo…Mas ele sempre esteve coligado, de uma forma ou de outra…
No início, humilde, Lincoln alugou ou até emprestou instrumentos quando eu não tinha acesso a um Oberheim, um Clavinet, etc…
Me lembro de ter dado a canção “Pedacinhos” para a Vanusa gravar, e ele na época me disse que não entendeu porque tiraram do repertório dela…
Incontaveis vezes esse cara me deu força, manifestou seu apoio, em confessadíssimas tietagens mútuas.
Um fã incondicional é o que eu sou, dele.
Um fã incondicional é o que ele sempre foi, meu.
Quando a gente “acertou no taco”, cravando hits antológicos, a gente sempre “pagou pau” sem a menor cerimônia, e disso a gente só tem mesmo que se orgulhar.
As parcerias dele com Robson Jorge, o magistral “Urubu”, ficaram como obras primas de nível mundial.
Seu arranjo em Brincar de Viver, um ponto alto na minha carreira de compositor, e também na trajetória de Bethânia, que agora se consagra no “bis” arrasador do Show de 50 anos de profissão, é belíssimo, é uma gratidão que eu vou levar para o resto da vida.
Ao menos pude reencontrá-lo, há pouco tempo no Coaxo do Sapo, e ver mais uma vez essa lenda em ação.
Querido Lincoln,
um abraço eterno do seu fã incondicional, Guilherme Arantes.

( 14 de Janeiro de 2015 )

Natais passando como dias

Mais um final de ano, mais um Natal, um Reveillon, e a vida vai se sucedendo num fragor incontrolável, em disparada, a vida vai indo de roldão, num alucinado, descontrolado ritmo …
…às vezes vem um calafrio em mim…
Porque não temos medo ?
Porque não temos alternativa, ou porque TEMOS um viés de confiança espiritual. Sâo duas maneiras de encararmos essa realidade.
De qualquer forma, nessa desabalada carreira, nesse mundo louco, nessa vida louca, vamos seguindo em frente, como dizem magistralmente os poetas Almir Sater e Renato Teixeira em sua canção eterna, primorosa.
No ano que vem, prometo escutar mais essa canção…

( 9 Dez 2014 )

O meu, o nosso Tom Jobim

Vejo Tom como o mestre maior das harmonias caleidoscopicas.
Digo isso porque já me aventurei inumeras vezes, quebrando a cabeça para adivinhar milimetro por milimetro cada passo ousado no encadeamento dos acordes, conseguindo tirar de ouvido as complexidades cromáticas, eu, que não fui nativo da tradição do samba-canção e nem da bossa nova, enfrentei cara a cara esse desafio, sem nenhuma partitura, cifra ou professor, nem mesmo disco para ouvir como referencia, me obriguei simplesmente a adivinhar, e reconstruir Tom, de dentro pra fora, somente pela essencia, não sabendo direito a musica, tentando propor o caminho, eu teria que ser capaz de re-compor da estaca zero, sem erro nem enganação o que de mais genial ele poderia ter feito, se subiria, se desceria, um jogo infinitesimal de poliedros, piramidal em seu rigor geometrico. Um arquiteto nato, de estruturas sucintas, de cristais preciosos em sequencia alucinada. Surpresas a cada passo. Improbabilidades do praticamente impossível. Só assim eu decifraria o Tom Jobim. E posso dizer que consegui tantas vezes, com muita dificuldade porque o Mestre era danado de sutilezas e detalhes.
Aquelas mãos carregavam uma artesania de um Da Vinci, sem muito virtuosismo exibicionista, humilhavam todos os wannabes como eu.
Enquanto isso, flutuando sobre esse universo complexo, flutuavam as mais doces e brasileirissimas melodias, existenciais e pungentes…
com Tom incorporado em mim pude perceber o quão pequeno e aprendiz eu sempre seria.
Analiso suas obras com o espanto perante uma genialidade lancinante. Absorveu Chopin, Debussy, Ravel, Villa Lobos e a monumental dimensão do Jazz, cool e elegante, coloquial em sua erudição fina, gauche na sua displicência transgressora, na obra e na vida.
E é por isso tudo que, 20 anos depois daquele dia de uma perda indescritível para mim, estou aqui chorando de saudade de você, Tom.

( 8 de Dezembro de 2014 )

20 anos sem Tom

Ha 20 anos eu ia para o Rio com absoluta urgencia para os funerais de Tom. Morria um pouco de mim, para viver eternamente como o grande pai de todos nós. Tom genial, bem humorado e generoso, inteligente e engraçado, o mais jovem de todos, um charme mundialmente consagrado. Me lembro de embarcar na Ponte Aerea em estado de choque, e encontrar a Leila Pinheiro no avião, e como irmãos atados misteriosamente naquela paternidade de Tom…fomos ao Jardim Botanico e fiquei inconsolavel ao lado do caixão com o corpo do meu ídolo maior. Era como se fosse o meu pai que estava ali, tão doce, tão incentivador, inesquecível. Tom adorava Coisas do Brasil, e me dirigiu palavras de muita consideração em relação às harmonias e melodias.
Tom, 20 anos depois eu sinto tanto a sua falta como ser humano… Só de saber que no mundo ainda respirava o mesmo ar desse espirito luminoso, ainda era um alento… Mas sinto a
sua presença por toda parte. Em tudo que eu sonhar pela vida, vou ser sempre grato por ter voce como idolo maior.

( 7 de Dezembro de 2014 )

Dizer “eu te amo”

Nunca devemos deixar de tornar explicito o nosso amor.
Sempre externar. Nunca supor ou deixar subentendido apenas por timidez ou egoismo tolo , sovina de generosidades, discrição elegante que se recusa a ser vulgar…
O amor é aberto, desavergonhado e livre, para se manifestar sem limitação social, convenções de etiqueta, sem fingimento ou jogo de cena…sem planejamentos , táticas, estratégias, é solto no tempo e no espaço, como o canto de um pássaro, um vento quente anunciando a nova estação, natural como as flores sem pudores que desabrocham sem censuras, o amor é pra ser o nosso território sagrado de liberdade e coerencia .
Por isso, a necessidade urgente de dizermos que amamos. E não é somente no “especialismo” de uma pessoa. Claro que tudo começa com o amor verdadeiro por uma pessoa. Abrem-se as sinapses da generosidade. A partir de então, passa ao compartilhamento.
Um mundo perdoado.
Eis a felicidade, e é tão fácil de se conquistar.
Basta começar imediatamente a pronunciar a frase, desde que verdadeira,
…eu te amo…

( 17 de Novembro de 2014 )