Mackie 8 bus tem salvação !

Dicas do Século by Daicon Designs !!! Mackies 8 bus têm salvação !!!!

Pedro comentou comigo que vários interessados queriam que eu postasse mais informações de como recuperei a minha mesa Mackie Analogica 8 Bus…
Olha, com franqueza, é mesmo coisa de aficcionado maluco, porque sai caro e dá trabalho, não sei se todos acham que vale mesmo a pena, dado o preço irrisório de mercado de usados.
A questão desses preços irrisórios, tem a ver -claro – com a improbabilidade quase absoluta de se encontrar uma Mackie 8 Bus analog na qual tudo ainda funcione, a maioria já não apresenta mais qualidade, potenciometros não operam, chaves não fazem mais o “toggle”, os canais “entupidos” precisam de volume absurdo pra desentupirem, grupos têm cross-talk, ou pior : placas oxidadas, faders de 100mm mortos, não “solam” mais, conectores cheios de barulhos…
Um mixer de engenharia peculiar que complica muito até para se abrir o console, placas dispostas em camadas internas, e por fim, channelboards em grupos de 8 canais, presos com parafusos “allen” microscópicos, facílimos de “espanar” com as chaves vagabundas made-in-china…Mas sou maluco mesmo, então resolví que o meu conjunto de 32×8 com expander 24×8 iria ser provavelmente o último funcionando até o Armagedon, e ponto final… Eu fiz essa longa peregrinação porque eu adoro a seção de equalização da velha Mackie, e também porque essa serie 8 bus análoga é histórica, muito apreciada, tem conexões à beça disponíveis para tudo que é gambiarra, tem 6 auxiliares, entradas de “tape”, e vários “features” que foram deixando de oferecer nos modelos posteriores. Também sou fã de mixer de verdade, sem páginas digitais para navegar, tudinho ali, cara a cara, pronto pra ser mexido em realtime, no estilo antigo…
Aqui vão as dicas tão preciosas que os aventureiros posteriores a mim irão precisar.
1. Potenciometros de Gain que já não operam mais : só trocando o ChannelBoard mesmo. custa 150 dolares cada modulo de 8 , “refurbished”, na DiabloMusic do Ebay :
http://www.ebay.com/usr/diablosmusic?_trksid=p2047675.l2559
Eles são especializados em “canibalização com refurbish”, compram equipamentos e desmembram as peças , oferecendo revisadas, perfeitas, no ebay.
Meu conselho é contabilizar tudo que não funciona mais, e comprar em lote ( num só pacote )
Pelo correio ( USPS) podem colocar mais o frete ( de U$ 80,00 a U$150,00 mais ou menos ) e finalmente, ao ir buscar na Agencia do Correio, leve 100% do valor em reais, em dinheiro vivo ( eu avisei lá em cima que seria para aficcionados mesmo..kkkkk ) . Isso se não ocorrer a entrega por moto, quando então as placas delicadas poderão sofrer fratura irreversível – muito comum, por sinal. PT.
Perda total. As minhas vieram com um amigo, num pacote, bagagem de mão, dentro do avião…Mas o meu caso é especial, teve esse amigão, e tudo deu certo no final.
Mas na hora de trocar, foi um “pain-in-the-ass”, porque tem que ter um método danado : Mesa com pano grosso e macio para pousar o console de cabeça pra baixo, copinhos de plastico pra separar todos os knobs por tipo e cor, e depois tirar TODAS as demais placas que impedem a saída do Channel Board, incluindo as porcas e arruelas de todos os plugs banana das placas de “tape inputs” , os parafusos de todos os conectores XLR ( cannon ) , e ainda as porcas e arruelas de todos os plugs banana das placas de channel inputs , e ainda as placas de saída ( de “link” db50 ) , Só não precisa retirar a placa de “power”, porque está fora da área.
Não adianta nem tentar tirar um módulo sem retirar os de line/mic inputs e os de tape inputs. Voce pode quebrar os outros conectores de flat soldados nas placas de input… É desmontar tudo mesmo, não tem “jeitinho brasileiro” .
Cabe ainda anotar com fita crepe todos os conectores das placas, pra não se enganar : ficar esperto com os CONECTORES DE FORÇA, que são ABERTOS, não têm “encaixe ideal” , e onde qualquer descuido na re-montagem, ( pulando pino ) é queima na hora . Perda Total. PT.
(Obs : este PT que eu menciono não tem conotações políticas, não me comPromeTam ! )
Pois bem, o Channel Board é o último – fora o problema dos parafusinhos allen – chavinhas allen só novinhas, e de aço carbono – as cromadinhas chinesas nem pensar , espanam o parafusinho na hora e a placa não sairá nunca mais da chapa do console !!

Bem, mas digamos que é problema mais simples : o famigeradíssimo Calcanhar de Aquiles das Mackies : flat cables ( ribbon cables ) originais de má qualidade, e que ficam de CABEÇA PRA BAIXO, soltando com facilidade. Precisam ser trocados, todos, e esse é o procedimento que precede qualquer outro.
Mackies com flat cables velhos não valem nada, são apenas sucata.
So adquirir o CONJUNTO COMPLETO da Serie G, ( U$ 240,00 ) – “se” e “quando” encontrar, pois são “mosca branca” ,
Esses Serie G têm conectores com trava e contactores banhados a ouro..
Todos os anteriores( series A. B,C.D e E. não prestam pois os conectores são ZINCADOS, ou NIQUELADOS , e não têm trava .
Curiosidade :não existem ribbons serie F, a fábrica pulou.
Demoraram 5 séries de fabricação ATÉ ACERTAREM OS RIBBONS que funcionariam em definitivo – é brincadeira ????
Dica para achar esses “flat ribbon” cables : ( foi onde eu resolví o meu problema maior, mas tive que encomendar, e depois trouxe comigo numa viagem à querida Maçã…)
DBM Pro Audio 320W 37th St 5th Fllor – New York NY 10018 -212 6290326 – steve@dbmproaudio.com

Uma boa tentativa é utilizar produtos corretos na limpeza e recuperação .
Esta dica é valiosa.
Existe uma linha que foi desenvolvida para a Nasa fazer manutenção dos “rovers” que estão há anos explorando Marte ( já pensaram nisso ? Os rovers são jipes robos duplos, gêmeos siameses… um faz a manutenção do outro…já pensaram na corrosão e oxidação no espaço, em Vênus, com tempestades de ácido sulfúrico ? )
Esse tipo de produto os leigos nunca ouviram falar aqui no Brasil…
Pensar que aqui na Bahia é difícil até quem usa isopropílico, achar Contacmatic nem pensar…)
Pois este é o maior segredo :
www.caig.com ( compra online , também vem pelo correio )

Deoxit G5 para conectores, plugs e chaves ( interruptores liga/desliga ) evitar usar em Potenciometros e jamais usar nos Faders de 100mm !

Deoxit Fades-Series – lubrificantes especiais para faders e potenciometros . Essa empresa despacha para o Brasil, o cara é vietnamita, e se chama Nguyen.

Dicas detalhadas assim , só mesmo aqui, exclusivas para os amigos do Coaxo do Sapo !!!
Abração !

Guilherme Arantes , O Ancião Peregrino.

Governo.

 

Eu procuro não falar de política, pra não ser mais um no coro das obviedades, já que todos estão só falando da situação atual do país, etc…  Está chatíssimo , até porque as mudanças que as pessoas esperam não virão – ao menos na velocidade que todos esperam… O que eu tinha que falar, falei há pouco mais de 3 anos, ao sentar ao piano e compor a música “Moldura do Quadro Roubado”. Ali eu digo tudo, dando forma polida ao que eu acredito, e ao que deixo de acreditar.

Não acredito nesse arremedo de Política que se pratica no Brasil, um jogo sujo sem fim, uma tragédia recorrente de falcatruas desde o Descobrimento. A estas alturas, falta pouco para a Operação Lava-Rabo-dos-Bundas-Sujas se estender até o Barão do Rio Branco, até o Visconde de Mauá , pra se averiguarem as falcatruas da Light , dos loteamentos da britânica Cia City em São Paulo, das implantações arqui-quaquilionárias dos telegraphos, dos telephones, das ferrovias com suas monumentais estações de ferro 100% importadas-até os tijolos- negociadas nos salões com vidros bizotados de Londres e em Paris, por empoladíssimos “gentlemen”, ilustres cavalheiros em ternos de casimira inglesa com colete, tomando seus absintos e fumando seus charutões com seus bigodões  … E ainda ficando para a História como heróis…Vai saber…E quem sou eu pra questionar os Heróis ?  Só não acredito nesse arremedo de Política que se pratica no Brasil. É um teatrinho pra fazer de conta que existe uma Ordem. Não há Ordem alguma, isso é visível, o país patina pra lá, patina pra cá, e volta sempre para o limbo . Há, sim, um espectro de Democracia, é mesmo uma encenação e ponto final. Mas desde a Grécia Antiga, passando por Roma, a proposta é essa, mesmo : de ser uma encenação. Com raríssimas exceções individuais, é cobra-engolindo-cobra.

E pra não me chamarem de “alienado” ou de omisso, por não dar nomes aos bois, cito uma honrosa exceção contemporânea da minha geração : Fernando Gabeira, que, após experimentar a “Política” na praxis, voltou à sua profissão de Jornalista, com dignidade e sempre uma contribuição saborosa e importante para a sociedade : abandonou a “política formal” e suas benesses – não é, pois, um político profissional , sendo portanto uma exceção… mas quantos destes existem ? Uma vez aboletados no poder, os políticos se tornam adictos, tomam gosto pela coisa…Mas, pelo que vemos, era muito mais para os políticos tomarem desgosto pela coisa….

Obs : me orgulho muito de ter feito “Imagens”, o tema de Gabeira para a Prefeitura do Rio, quando houve o “abraço da Lagoa”… Só digo que ele não me decepcionou, muito pelo contrário.

A grosso modo, não há sobrevivência  “nisso que chamam de Política”, sem o chamado “jogo de cintura”, primeiro passo para a malandragem no bom sentido , abrindo caminho favorabilíssimo para a malandragem no mau sentido, e daí à pilantragem explícita é só uma questão de gramática ( ou de aritmética…).

Não acredito em fórmula nenhuma, nem conservadora nem progressista, nem socialista nem capitalista, enquanto os cidadãos em geral  jogarem uma garrafa pet na estrada, acreditando que, a partir do arremesso, aquele dejeto é de “alçada pública”, ou seja, passa a ser problema do “governo”.

Aliás, a sociedade gera todo tipo de dejetos e imediatamente empurra para o que chama de “Governo” – pra depois poder reclamar. É importante ter um repositório de reclamações. Esgoto ? Governo.  Lixo ? Governo. Drogas ? Governo. Crime ? Governo.

O “Governo” é um vilão coletivo, uma instância confortável de terceirização dos problemas. É como para a religião, a figura do Satã.  E quem fica se ocupando muito com Satã perde o seu precioso tempo, que deveria ser dedicado à Gloria do Bem…Como diria Lennon, “Mind Games Forever…” Mas porque então esse Satã ocupa tanto a cabeça das pessoas? Elementar.  O que chamam de “Governo” no Brasil é apenas e tão somente o maior empregador do país. Essa é uma herança da arcaica estrutura ibérica, do colonialismo entesourador extrativista primário. A máquina estatal  emprega milhões , então passa a ser fundamental para a população, é o verdadeiro “patrão” da Pátria. E o pesadelo também.  É por isso que o “butim” governamental  é disputado avidamente entre a direita e a esquerda, infinitamente, de forma pendular. E isso é universal.  Os países que deram certo são aqueles onde os movimentos pendulares entre o socialismo empregador e o liberalismo otimizador  já alcançaram um equilíbrio, no qual esses movimentos pendulares passam a ter uma amplitude cada vez menor, tendendo ao repouso do centro. Exemplo típico : os escandinavos.

A verdadeira “Política” quem faz é o cidadão comum, no seu dia a dia, no trabalho e na sua perseverança, no seu relacionamento estreito com a sua comunidade, arrumando a sua casa, a sua rua, o seu bairro, tendo mais capricho no seu cotidiano, mais atenção com as proximidades, e menos esperanças nas instâncias distantes desse coletivo anônimo, que não tem, nunca teve e nem nunca terá ….

Governo.

Mensagem do Universo

Recebi uma mensagem esta semana. Uma hora eu conto como foi, o que foi. Tem vezes que a gente olha em volta e só vê coisa ruim, e no nosso caso brasileiro, a conjuntura não ajuda : tudo tende a dar errado.

As coisas não funcionam, bate um desânimo e uma descrença, passamos a olhar o Universo como Perverso, e caímos numa armadilha ancestral e cibernética de “defesa e ataque”, que remonta aos nossos primórdios de primatas em mutação, à época dos primeiros bytes da nossa consciência cognitiva, bytes que nos transformaram em vencedores, diante dos muitos perigos de extinção diante da fome, das feras…O homem primitivo era basicamente “caça”, coadjuvante, e ponto final. ( ponto final não, ponto de partida). O gene do pânico é um dos mais importantes da nossa espécie, e está presente em todas as demais. Por essa espécie de “DOS” basal, primitivo, espécie de “terminal level”, sobre o qual rodam os nossos sistemas de pensamento, quando as múltiplas dificuldades insolúveis se tornam toxinas, nos fazem dar “tilt”, dar “pau”, “travar”, nos vemos prisioneiros de um curto-circuito, um ciclo vicioso que se agrava com essas adrenalinas basais do pânico.

Já repararam como nos comportamos numa briga ? Em situações-limite, nas quais tudo pode acontecer ? Esse é o estado de espírito, infelizmente, de milhões de pessoas em situações de vulnerabilidade e risco permanentes…  Então é necessária uma ruptura – um “chutar tudo para o alto” – para os místicos, significa chutar tudo para o “Alto”, ou seja, entregarmos os problemas ao Sobrenatural. O importante nisso não é “para Onde” ou “para Quem” vão os problemas, (dêem a esse “Quem” o Nome que quiserem) mas sim,  a retirada, a remoção deles de dentro de nosso sistema, mesmo que seja para uma “área de quarentena”. Nessa hora, é como se um milagre se operasse. Tantas vezes eu estava lá no fundo do poço, e não sabia que estava na beirada de um vôo espetacular, completamente inesperado. Devemos confiar no inesperado, porque dele é feito o Universo. Para mim, essa dimensão sempre veio, nunca entendi bem porquê…. E quanto mais fundo era o fundo do poço, mais espetacular era o vôo panorâmico que se preparava. Há várias maneiras de se multiplicar o Universo Perverso por “menos um”, e aquilo que parecia derrota permanente, súbito se “converter” em prodígio. É preciso foco e concentração do pensamento, mesmo que estes sejam involuntários. Conversão é uma palavra de múltiplas sinapses, se combina com muitas situações. Desde menino, tenho o costume de largar alguma uma árdua tarefa consumidora, fosse de composição musical, ou de estudar para uma prova, em alguma véspera de Vestibular, algum “limiar de provação”, e largar tudo,  me retirar na marcenaria, ir para a oficina, ir para o jardim mexer com terra, com plantas, ir pescar, ir correr, andar de bicicleta, subir numa árvore, olhar no telescópio, no microscópio, ler um livro, qualquer coisa em que se manifestasse um silêncio interior. Eis o segredo. O trabalho mental ali não para. A mente trabalha profundamente no inconsciente, desembaraçando os novelos até retomar o fio da meada. O que chamam de “Conversão” para mim é multiplicar o mundo por menos um. E eu já tive inúmeras oportunidades de fazer essa transmutação.

Basta, literalmente, com amor se propor à ruptura, na profundidade da nossa inconformidade. As Religiões são especializadas em doutrinar técnicas de se fazer isso. Por bem ou por mal, vivem disso. O importante mesmo é levar esse nível de otimização do sistema para o centro do nosso dia-a-dia. Francamente, não sei exatamente como se faz. Mas só sei que é assim, e cada um faz do seu jeito.

O Universo, então, tende a conspirar a favor.

Nova das Nove – a Cara do Brasil ?

Um dia, eu estava no Rio e fui comer alguma coisa numa brasserie do Leblon, local ultra- conhecido por ser “ponto” de um grande escritor de novelas, que frequenta  inclusive sempre na mesma mesa,se encontrando naquele cair de tarde junto com um emeritíssimo diretor de modernas novelas…
Não pude deixar de ouvir, curioso, “orelhão”,eu estava na mesa do lado…
O papo era a próxima novela, decidida em alguma reunião horas antes…
O Escritor perguntou para o Diretor qual seria a história… Em minha solidão atenta, dei um sorriso…

Pensei, por um segundo, com meus botões : porque esses caras não inventam uma novela para recapturar o publico jovem, hoje tão desinteressado no gênero, e que um dia fez dessa TV o império que se tornou… Me lembro do Jornal Nacional tocando Pink Floyd… Poderia ser uma trama ousadamente chamada “Sociedade Alternativa”, abertura com Raul, se passaria numa ilha, para onde as pessoas cansadas com o Sistema, tentariam um modelo 100% hippie e transgressor… Poderia até depois descambar para a velha cupidez, a velha luta pelo poder, sofrer uma decadência,uma desilusão destrutiva, como o proprio caminho da Contracultura,  mas o ponto de partida seria inovador… no mínimo, balançaria estruturas narcotizadas pelo óbvio…  Então acordei do meu delírio, ouvi novamente  eles conversarem….
Vem aí a nova trama das nove…
Redundantemente, mais uma luta de inescrupulosos pelo “butim” de uma família rica do Rio de Janeiro…
É sempre igual, ninguém vê ninguém trabalhando.
O dinheiro é uma fortuna que será disputada por um batalhão de parasitas.
Fortuna construída num passado de esplendores, jamais se vê construir nada.
Essa fortuna, sempre em poder de uma família milionária, um Grupo com nome pomposo, do tipo”Monteiro de Queiroz”, uma Fundação “Amoedo de Castro”, domínios de algum clã, em cuja mansão, nas encostas do Jardim Botânico, ao sovaco do Cristo, sempre ali, se passa todo o “núcleo rico” do enredo, com suas salas decoradas com móveis estratosféricos, decorações inatingíveis, cristais e objetos de arte ostensivos e obscenos. Enquanto isso, no “núcleo pobre”, aclimatado numa favela suave e digestiva, as pessoas são mais humanas e verdadeiras, lutam com o dia a dia, e sobem na vida. Corta então para uma trilha sonora “inclusiva”, com sertanejo, pagode e funk, pura diversão. Ali, o pessoal ainda é visto batalhando, pra conquistar identificações… Alguém do “núcleo pobre”  dá um golpe, pra ficar com toda a grana da mansão, e até um outro personagem rico se casa por amor com alguém do núcleo da favela…

Arquétipos sem fim. Obviedades.
Será que o Brasil não vai mudar nunca ?

Pedí a conta, cumprimentei os dois, até porque me reconheceram… foram amaveis, delicados…Me convidaram a sentar ali, com eles, mas estava ficando tarde, eu não queria atrapalhar os dois nem invadir aquele espaço mágico da ficção, então me retirei, de volta ao meu mundo trivial, um mundo bem diferente, cuja equação é bem mais complexa de se resolver do que num folhetim…  Será ?

Tecnofobia

Não há nada que me desvie mais do “normal” do que alguma máquina não atender ao chamado. Meu computador mais importante, aquele que levei meses configurando – e que finalmente rodava tudo que eu precisava – piscou, travou, apagou. Na volta, ficou “rodando a bolinha”, sem “boot”,  e simplesmente me largou na mão, justo quando eu estava fazendo uma música ( finalmente, depois de longa estiagem e inércia criativa… ). Parece ridículo, mas é trágico, perturba tudo o mais…Eu fico num estado de irritabilidade, de intratabilidade que dá até pena de quem estiver por perto… Já sou “reclamão” e “trágico” por natureza… Nessas horas é que percebemos o quanto somos a cada dia mais dependentes, vamos capengando de placa-mãe em placa-mãe, de iphone roubado a ipad travado, atualização desastrada de sistema, “firmware” instalado “by automatic demand”( e que não era pra fazer ) , incompatibilidade de plugins, 16 bits, 32, 64 bits, migração de 286 ,386, 486, Pentium II, III, 4, PowerPC para Intel, I3, I5, I7, Usb para Usb 2, para Usb3, Firewire, Thunderbolt, de IDE para Sata, de Win XP para Vista, para W7, para W8, para 8.1, OSX Tiger, Leopard, Snow Leopard, Lion, Mountain Lion, Mavericks para Yosemite, e a grana então ? Já fizeram as contas ? É bem verdade que hoje as máquinas só faltam andar nas águas e transformar água em vinho, mas o problema é com a gente…sistema nervoso , coluna cervical e lombar em frangalhos… O computador é um tirano. Às vezes dá saudade do velho gravadorzinho cassette com microfone e falante embutido. Mono. Era muito mais rápido, eu fazia uma música por dia… Hoje é um tal de inicializar, configurar, um silêncio estarrecedor até tudo estar rodando… Quando está rodando. Quando não está, dá vontade de pegar o martelo, a marreta…e nem vou dizer o resto. Mas vontade é coisa que dá e passa.  Aliás, estou começando a aprender a não ter mais vontades e desejos – eis a chave da felicidade :  a pessoa deixar pra lá…chutar o balde, jogar a toalha, se entregar ao ócio. Não fazer nada e pronto. Virar Guru e esvaziar a mente. Sabe quando o Guru atinge o “Bharata” ? Quando deixa a barba e o cabelo crescerem desgrenhados, já nem toma banho mais, convive com roupas sujas, restos de comida e até excrementos, atingindo um Estado de Abandono, de Esquecimento e Esvaziamento Pleno : Iluminação . Atingir o “Bharata” seria um misto de indiano com kafkiano… Mas como temos que seguir o cotidiano, dá licença que eu vou lá na Assistência Técnica saber se as minhas esperanças já viraram sucata…Saber se o que me resta é comprar tudo de novo, e alimentar essa usina de lixo que é a modernidade. Meu bom humor hoje depende da bolinha parar de girar e o futuro abrir sua tela para mim.

o Carnaval, o Carnaval, o Carnaval….

( Fevereiro de 2015 )

Com todo o respeito a toda cultura envolvida, sei que é parte de nossa identidade , de nossa essência como povo, o lado “bufo”, irreverente e alegre da Terra Brasilis, mas eu não suporto mais o Carnaval. Um dia, gostei. Não tenho mais saco nem pra ver…

( 16 de Fevereiro de 2015)

Gostar ou não de carnaval não tem nada a ver com a idade !

Acho legal a celebração da vida, de se estar vivo.
Celebrarmos que temos saúde, por exemplo, já é uma Mega Sena na vida de cada um de nós…
Os “bacantes” são também uma forma de rito, e o Brasil se parece com a Índia em muitos aspectos do colorido, da alegria, do lúdico primordial, não tem nenhum problema em se gostar de Carnaval …
Eu curti muito, inclusive tive a honra de sair pelo Salgueiro, na Ala dos Compositores, uma experiencia indescritível até porque a gente ganhou naquele ano…
Me lembro também dos carnavais de criança, no interior , ou na praia, os corsos, os clubes, sempre uma alegria genuína…
Na Bahia, em Pernambuco, tive ótimos momentos de carnavais, o coletivo sempre nos contagia com uma força muito grande.
Mas não sei não, ando meio ressabiado com essa combinação do “espirito bufo” da Terra Brasilis com uma sensação permanente de fracasso de nossa Pátria, uma esculhambação interior de ser parte de uma terra tão atrapalhada, que nunca deslancha. O Carnaval me soa uma muleta espiritual para preencher uma grande lacuna que existe no Brasil, enquanto Pàtria.
Parecemos deserdados, desterrados numa “alegre” nação triste.
É só isso. Vontade de que muita coisa mude.
Mas fica sempre, tudo, só pra “depois do Carnaval”…

No mais, bom carnaval para todos !
Não estou aqui pra julgar ninguém, e nem fazer pouco de nossos costumes tão controvertidos…

( 15 de fevereiro de 2015 )

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Pra quem acha que ter “senso crítico” é ficar “chato e ranzinza”, devo acrescentar que uma coisa muito positiva e incrível que aconteceu recentemente foi o reavivamento dos BLOCOS lá no nosso queridíssimo Rio de Janeiro.
Assistimos a isso com muita alegria, uma alegria legítima, é a cara do Rio, é a cara do Brasil que não se extingue, e que resiste…
Reação ao Carnaval segmentado em castas, à segregação e exclusão de uma sociedade mergulhada na “camarotização” – ( hoje este termo vem sendo consagrado nas análises comportamentais ) – Blocos irreverentes e democráticos, sempre trazendo uma forte “pitada” de crítica e mordacidade social e política.
Esse é um lado salutar do “furdunço” brasileiro : o deboche também é uma forma de responder à realidade perversa.
Aliás, no teatro existe o Drama e a Comédia : muitas vezes é pelo riso que se proferem as mais lancinantes críticas na sociedade, vide Voltaire …
Daí a minha enorme simpatia pelo sucesso dos Blocos do Rio.

( 16 de Fevereiro de 2013 )

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O Brasil não é para principiantes, já cravava o Tom Jobim a celebre frase, que de tão sagaz foi incorporada em milhares de reflexões, teses, livros…

Quem não decifrar o que está por trás do Carnaval jamais entenderá o Brasil , por isso, essa discussão será sempre oportuna.
Os filósofos e sociólogos estão sempre futucando esses veios, na esperança de se compreender melhor do que tudo isto se trata…
Por trás de toda a efusividade de nosso povo, se escondem as mais perversas atrocidades, ou as mais atrozes perversidades , e o Carnaval é uma catarse em forma de ópera bufa.
É interessante perceber como ali ocorrem as mais diversas incorporações culturais, assimilações complexas de camadas dominadas com dominadoras, numa confusão mais organizada do que se pensa….

( 16 de fevereiro de 2015 )

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Peculiares relações entre Arte e Política.

Uma obra de arte, quando bela, magistral, verdadeira, inspirada,
quando traz embutido um contexto histórico, politico, social,
com o passar do tempo pode espelhar a realidade das formas mais surpreendentes.
Esta obra, de uma beleza imorredoura, serve a vários contextos, exatamente pela grandeza de sua lavra poética.
Grande poeta, o Grande Chico !

 

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)

Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

 

( 17 de fevereiro de 2015 )

reações ao clip na Espanha

Depois da publicação do video novo, percebo que existe uma corrente de comentários (e não necessariamente aqui neste espaço) negativos, questionando a validade de que os esplendores de um país “colonizador” sejam apresentados por mim, um brasileiro de uma America Latina colonizada e historicamente humilhada , etc..etc… E essa é uma discussão muito interessante, é muito bom que aconteça, eu já esperava… Devo dizer que, em primeiro lugar, a música é universal – e ainda mais essa música…. Não visa apenas ser apreciada pelo público da “Terra Brasilis”, pelos fãs entusiastas, mas também ser apreciada por pessoas de outras partes do mundo, inclusive – e mais especialmente – pelos espanhóis. E ser apreciada, também, ou não-apreciada, pelos críticos, e abrir um canal de reflexões, incluindo esse questionamento sobre a História da Riqueza do Mundo ( Hobsbawm ) e seus caminhos dramáticos … Houve um comentário em que uma pessoa, além dessa mesma crítica sobre a “validade” da “ostentação do Mundo Colonizador” , aproveita para dizer que preferia o Guilherme de Meu Mundo e Nada Mais , de Um Dia um Adeus… e é engraçado, porque a pessoa prefere justamente os temas de novelas mais hegemônicos de uma Grande Mídia , ”mainstream” total, em detrimento de uma reflexão cultural sobre a herança da cultura latina, em que a América é exaltada como supra-sumo dessa mesma cultura latina, e na letra é qualificada como “ainda uma criança” , porque é plena de esperanças e de futuros. Acredito mesmo que a America Latina será o centro do mundo, um dia. Nem que seja quando o mundo atualmente configurado vier a sofrer uma gravíssima re-configuração – e isto todos sabem que vai acontecer. Mas voltando ao tema, o vídeo em questão não visa fazer um mero “desfile de esplendores”. Pelo contrário, traz embutida uma série de sutilezas e mistérios…como na sequencia das ninfas, de Adão e Eva, do pecado e da fogueira das punições, por exemplo… O fato é que o “tema” não é a riqueza. O tema é o “moderno artesão” que renasceu em mim, ( eu que tenho as mãos eternamente “sujas” por trabalharem incansavelmente com artesanias diversas…e isso sou mesmo eu… misto de marceneiro com tecnico eletronico, de”Professor Pardal” com “Porquinho Prático” …) e que no meu sonho renasce para o mundo, na minha esperança, em cada “alvorecer lindo” de um “Novo Mundo” em nós. O tema principal da música é sim, a beleza da cultura latina no mundo , mas o tema de fundo é na verdade a operosidade das mãos. Esses “questionamentos de validade” , aliás, são um filosofês rasteiro, um velho abutre conhecido. Bem mais fácil é não realizar nada, não fazer vídeo nenhum sobre o mundo, e ficar ruminando nossas reclamações ideológicas, vendo defeito em tudo, olhando para o nosso umbigo de um povo que só tem ( e vê ) problemas, pobreza e negatividade por toda parte. Eu não. Para mim, o mundo é fascinante, o Brasil também é fascinante, a Humanidade é fascinante, só depende dos olhos e da interpretação que se dê. Que ainda é criança a América.

https://www.youtube.com/watch?v=e2BwtWXtYJo

( 7 de Fevereiro de 2014 )

Clip na Espanha

Eu concluí finalmente a edição do primeiro Clip rodado na viagem pela Espanha. Ficou um absurdo, de longe o melhor que já fiz… Um roteiro de quase 6000 km, passando por 23 cidades, por todas as regiões ( com pequenas exceções porque a Espanha é muito grande e variada ) mas vocês vão gostar muito…especialmente pelo resgate de uma parcela de sonoridades do Moto Perpétuo, minhas origens do tempo de Universidade, a Historia da Arte da FAU…
Tudo ambientado no tórrido verão espanhol, durante a Copa do Mundo do ano passado. Essa idéia desse clip era antiga, e a escolha da música é um outro resgate importante…
Uma edição ( com toda modéstia ) primorosa, meticulosa, que me deu muito, mas muito trabalho mesmo…
A escolha dos takes foi um labirinto, já que o material gravado que trouxemos da Espanha ( em 4 HDs backups, um em cada mala ) quase chegava a 1 Tera…
Não vou entrar em detalhes, por hora…
É um Clip/documentário com 12 minutos de duração, uma verdadeira “viagem” marcada por cenas e episódios miraculosos de profunda espiritualidade. A musica é muito especial…aposto que alguns de voces sabem qual é…
E tem mais :
O lançamento desse Clip marcará a chegada (dentro de alguns dias) do LP – Vinil – do CD Condição Humana, que terá a adição de um compacto ( também em vinil ) com essa faixa-bônus.
Vocês vão gostar !

( 03 de fevereiro de 2015 )

A Era das Biografias e d´Os Musicais…

Há uma onda, sempre uma onda, de trazerem de volta todos os ídolos carismáticos e misteriosos de outros tempos, ídolos controvertidos por suas vidas pessoais e suas confusões, que rendem bons roteiros para biografias e musicais (e toda sorte de derivativos) que aguçam a curiosidade e o voyerismo de uma época vazia de controvérsias, uma época presente, “flat” e medíocre em seus pragmatismos e em seus pragmáticos funcionais, uma época de utilitarismo e de muita reciclagem de todo conteúdo que se viveu em cortantes, lancinantes “épocas analógicas de verdade”…
Num tempo presente muito peculiar , vejo os ícones de vidas sanguíneas, verdadeiras e acidentadas se transformarem sequencialmente numa miríade de clones e emulações, rendendo bilheterias milionárias de “homenagens” e de “tributos”…
Tributos válidos, sim, e mais do que justificáveis. São nossos heróis.
Até aqui, tudo muito bem… Mas eis que o “mercado” exploratório tenta confundir o público e o senso crítico mais elementar, numa segunda “onda”, fazendo o resgate de outros mitos secundários, que, com potencial escandaloso e/ou mórbido, possam apresentar elementos similares de polêmica, em prosaicas vidas de pura auto-destruição… Sabem bem ao que me refiro.
Devo dizer que, tanto em relação a Cazuza, Renato Russo, Elis, Simonal e muito especialmente Tim Maia, jamais ví esses meus ídolos derrotados ou entregues ao infortúnio .

Neles, a Vida triunfou, e essa é a sua maior beleza. Foram vencedores até o último instante. Tim Maia, por exemplo, faleceu em cima do palco, fazendo exatamente o que gostava de fazer : shows.
Nunca ví o Tim Maia por baixo, muito pelo contrário.
É bom que essa onda cuide de não diluir nossos maiores ídolos numa enxurrada de “biografias” e de “Os Musicais”, já que um panteão dessa grandeza poucos podem , de verdade, compartilhar.
Querem algumas sugestões ? : Taiguara , Marku Ribas, Itamar Assumpção, Johnny Alf…
Esses, sim , merecem um “reavivamento”, de todo o talento que deixaram no mundo, talento coberto de mistérios.

( 20 de Janeiro de 2015 )

 

Geração 2000

Uma geração perdida ?… repleta de lindos sonhos em vão ?
Anteontem eu estava no carro, na Estrada do Côco, e tocou no radio uma canção que há alguns anos atrás eu simplesmente adorava, e me bateu uma tristeza de nostalgia utópica, de tempos recentes…Era símbolo de um sonho que eu ansiava ver acontecer, na cena do pop rock nascente na Bahia, e eu me identificava alí, era um som viável de uma nova juventude urbana, que eu pensava ver em ascensão um dia, talvez numa novela, num seriado, no cinema, e me lembrei então que, de tantas possibilidades, a mais provável foi a que mais vingou, que era ( e sempre foi ) de simplesmente não acontecer nada e tudo morrer na praia…
Ora, em vão eu garanto que não foi, já que eu estava ouvindo no rádio, e eu estava chorando, lindamente, interna e externamente, com aquela canção:
Aguarraz , “Bem Mais Leve”…
https://www.youtube.com/watch?v=B0MhQr6iRrY
mas aquele insight me fez refletir o quanto a música do Brasil continua eternamente sendo a pátria absolutíssima do desperdício. Aliás, no mais, tudo por aqui respira e transpira o mais puro desperdício…Pensei, com tristeza e preocupação, na geração de nossos filhos, cercada de todo tipo de facilidades hightech, mas desprovida de oportunidades reais, uma juventude mergulhada num processo complexo de inclusão social e de competições desleais, encontrando um precaríssimo mercado de mão de obra pulverizado, de baixa remuneração e de péssimas contrapartidas a tantos pre requisitos, tantas exigências…O que aconteceu, o que está acontecendo com os nossos filhos, que pegaram, que estão pegando de frente tamanha realidade perversa ? O culto generalizado da ignorância, a boçalização, a rarefação dos meios de comunicação de massa e o pragmatismo utilitário fizeram dessa geração tão interessante uma geração perdida, que já se encaminha célere para os 35, 40 anos de idade sem que eles tenham experimentado uma única onda favorável, se compararmos com os gloriosos anos 50, 60, 70, ou com os generosos anos 80…e isso faz muita diferença…
Faz deles uma galera niilista, melancólica, desapegada, com um pé atrás até mesmo em relação ao proprio brilho…
E pensar que nessa geração tinha – e ainda tem – tanta coisa legal …

(27 de Dezembro de 2015 )