Medieval Times

Quando minha irmã estudava na St Paul´s School
eu tinha doze anos, e já achava curiosa uma rivalidade interna dos alunos, nos jogos, nas gincanas…
Ou a criança era “York” ou era “Lancaster”. Claro, uma estrutura de torneios medievais…
Os Yorks eram “vermelhos” e os Lancasters eram azuis…
Isso remonta às históricas disputas pelo Trono da Inglaterra, e faz parte
de um “lúdico” que nunca vai deixar de existir.

No Brasil de hoje, ou você é “York” ou você é “Lancaster”, e o propósito dessa divisão é basicamente LUDICO : estamos “nos distraindo” num jogo.
Medieval Times.
O que me preocupa muito mais é a perda de tempo : os anos dispendidos nessa “refrega” , nessa “procela”, serão anos perdidos para quem perdeu o fio da meada só protestando na rua e se esquecendo da “individuação”, se afastando do questionamento interior, que é uma refrega muito mais difícil de se resolver…
Há uma geração aí que poderá ficar de lado pela História.
A minha geração, dos anos 70 e começo dos 80, tinha herdado uma impossibilidade técnica de se manifestar: era a ditadura.
Com essa impossibilidade, nossa geração partiu para um tipo mais insidioso de “manifestação” : a revolução de costumes. Muito do que foi criado naqueles tempos de Nuvem Cigana, Clube da Esquina, Circo Voador, Asdrúbal, Lira Paulistana, num tempo de doidões delirantes, gerando uma nova realidade a partir da estética e do lúdico nas artes, perdurou de forma incrível, e está aí até hoje.
Não foi uma geração em vão.
A bem da verdade, as gerações anteriores também foram muito férteis e perduraram bravamente.
A Geração Samba-Canção , da “fossa” do pós-guerra, uma geração “gauche très chic” , logo sucedida pela Geração Bossa-Nova , com cinema novo, concretistas, os grandes arquitetos, o Brasil Designer do futuro…uma geração de ouro. Desta geração surgiria a geração Jovem Guarda e seu “corolário cult”, a Tropicália : eu costumo incluir o Tropicalismo na mesma prateleira da Jovem Guarda : é um apêndice politizado, culto, instigador da nova estética.
Com a repressão e o desabamento do AI5,em 68, que coincide com Woodstock, o Sargent Peppers e a onda lisérgica, surgiria no Brasil a geração Pasquim, uma geração mais “pesada”, “barbuda”, amarga (como deveria ser), reacionária contra o desbunde, mas progressista na “praxis” ,alinhada com a nova ordem gramsciana ( publicação dos Cadernos do Cárcere ) , uma geração revoltada, do contra, 100% etílica, e dentro dessas características, aparentemente careta. Esse período coincidiu, pra mim, com o tempo de entrar na Fau, Arquitetura da USP , no ano de 72. Congresso da Une em Ibiúna, prisões… Nas faculdades, era uma profusão de “grupos de estudos” ( que eu classifico como uma “moda” mesmo, uma coqueluche como as calças boca-de-sino… Tinha grupos Trotskistas, Leninistas, Stalinistas, e eu, que não levava nada daquilo a sério, era mais um “alienado”… Era classificado como “filhinho-de-papai” , ( hoje seria coxinha ) mas eu estava em OUTRA. Minha Revolução era PESSOAL , e só eu saberia disso…. Apesar da caretagem geral, aquela foi uma geração valorosíssima, com produtos de alta qualidade e um apelo mais do que legítimo. As marcas dessa geração estão presentes até hoje, nos cartazes, nas camisetas, nos palanques, e foram convenientemente incorporadas nas linguagens anti-liberalismo.

A meu ver, muitos dos herdeiros dessa linguagem, dessa “linhagem”, e que são da nova geração ( a geração dos nossos filhos, a geração Baixo-Augusta) vão pra rua principalmente movidos por uma CAUSA ANARQUISTA.
São CONTRA A ESTRUTURA EMPRESARIAL, são CONTRA o Capitalismo, CONTRA a “nova ordem neoliberal”, enfim, são CONTRA O “‘SISTEMA”.

Mas vejam, aqui está o paradoxo : Todas as gerações aqui descritas foram contra o “Sistema”.
A Geração 50 “gauche-chic” Samba-canção, a Geração Bossa Nova, a Jovem-Guarda-Tropicália, a Geração Pasquim, e a minha geração, a do Desbunde-80.

Todas contra o ‘SISTEMA”. E daí ?

E daí que, hoje, o discurso é um discurso aprisionado pelo utilitarismo, aliás, como tudo.
Será que os jovens estão ( como as demais gerações aqui descritas sempre estiveram… ) “voltando” pro mundo interior da individuação, será que estão realmente conseguindo gerar uma produção duradoura – aquela que NÃO se produz ali no meio das massas, na confusão confortavelmente comodista e enganadoramente ativista…das ruas, na empulhação do “coletivo” ?
Claro que não dá pra generalizar, e tem, sim, muitos jovens hoje gerando o futuro no recôndito de suas vidas, de suas lutas pessoais. Queremos ver isso. A História verá isso. Só que não “aparece”.
O revolucionário é silencioso e cava “na calada das Grandes Noites”…
Esses jovens revoltados de hoje podem nem ter consciência disso…
Podem até não acreditar um níquel no palavrório de palanque, podem até se render às evidências de êrros e descaminhos de uma certa casta que se apropriou da linguagem e montou uma estrutura similar à da uma facção: o SINDICALISMO .
O Sindicalismo não necessariamente traduz o discurso dessa juventude (já quase) perdida.
Mas é a opção que lhes é oferecida…
Até porque, do outro lado, o que se levanta pela polarização, pelos aproveitadores de ocasião, é exatamente a tonalidade neoliberal…
Quiçá até mesmo as “teias das vivandeiras” estejam se armando…
Mas tudo é muito confuso. Parece claro – e isso é muito pior…
Não tem “tu”, vai “tu mesmo”.
De ambos os lados.

Quem sabe surja nesse ínterim algo realmente revolucionário…
Uma coisa eu aposto : não será nem da Política , e nem das convulsões enganadoras desse Jogo Lúdico… Nunca foi.
Medieval Times Forever.

Obs : não me venham com impropérios, pois aqui sou apenas um observador….
Igualzinho ao Guilherme aos 12 anos…

E você, é “Lancaster” ou é “York” ?

A Semiotica nas encruzilhadas politicas e sociais

Manhã de domingo, tempo de encruzilhada ( ou não ? )

Vejo à distancia a Paulista toda lambida de cartazes com a foto antiga de um lider sindical barbudo que não existe mais : o tempo passa para todos, como passou pra mim, e as pessoas vira-e-mexe me vêm com a frase : Eu lembro de você com aquele cabelão, etc… É a semiótica em ação. Paro pra refletir na imagem muito reproduzida daquela moça de óculos, presa num interrogatório político, fichada no DOPS, e que se tornou residente no Alvorada. Quando convém, abrem a gaveta e lá vem aquela foto nos cartazes, nas camisetas. Semiótica em ação. Lembro ainda dos caras-pintadas depondo um presidente: a força dos signos é maior do que qualquer discurso, e os teóricos estrategistas sabem disso. Líderes históricos são danados em truques e artimanhas com signos. Muito do fascínio das convulsões totalitárias do Século XX repousa na atração mórbida que a Humanidade apresenta em relação aos signos. Quanto mais elaborada a simbologia, mais o Mito se estabelece, e os Mitos são fabricados, são perpetuados em direta proporção com a eficiência de sua codificação semiótica.

Vejo que o “movimento” dedicado a este domingo tem uma semiótica indefinida, senão inexistente.

Não há movimento socio-político efetivo sem os devidos signos.

Talvez seja mesmo como a Revolução Francesa : de uma massa amorfa, com sua miséria em ignição, seu signo final foi a Guilhotina. Qual será o signo que ficará desta era no Brasil ? O Verde-Amarelo da bandeira iluminista e aristocrática basta ?

O velho Hino parnasiano é belo, apesar do rococó-de-salão de um “Grand Monde” que também não existe mais.

É isso mesmo ? Ou estou enganado ?

“Recessão”

Congresso Natalino !!

Retrato do País :

nunca o Recesso Parlamentar, as férias de final de ano, foram tão ardentemente desejados, tão convenientes.
O País agora ficará meses sem nenhuma solução, e como diz o ditado : “o que não tem remédio, remediado está…”
Sinuca de bico, não vai nem pra um lado, nem pra outro, fica ruim pra todo mundo,

mas se ficar todo mundo igual nesse pântano, então estará bom : o importante é ficar todo mundo igual…

Cabe então um trocadilho…
A Recessão da Economia faz pano de fundo para “o Recessão” da Democracia.
Já é Natal. Já é Reveillon. Férias.
Preocupação, agora, só depois do Carnaval.

 

Dormentes

Às vezes parecemos dormentes.

Adormecidos sobre um leito de pedras, como se o mundo nos passasse por cima com todo seu som e fúria….
Dormentes,
sob os trilhos de aço de um destino inexorável.

Mas de dormentes não temos nada…
Nada impossível, nada improvável, tudo factível e insondável,
imprevisível,
A dor em nossas mentes opera em silencio.
Em todo o som e toda fúria dos silentes.
Toda ópera dos insurgentes.

Não se enganem se às vezes parecemos dormentes.
Estamos tramando a subversão,
a insurreição mortal e infecciosa contra todas essas correntes,
contra todas as insanidades vigentes…
Estamos gestando os ovos de todas as legiões de serpentes
Que devorarão cobras engolindo cobras e engolindo cobras
eternamente…
todas condenadas, nesse fosso da morte

às vezes, sim, parecemos,dormentes…
E eles estão todos mortos, tecnicamente…
Se o que vemos é um espetáculo deprimido e degradante,
às vezes comédia, mas quase sempre o mesmo drama recorrente.
Ratos e baratas arrastando correntes, como pesadelo
representando não “um” povo,
mas sim “para” um povo assistir…
pensar que ainda estão lá, viventes, mas são na verdade cadáveres.
Um teatro do absurdo, reino da fantasia de espectros.

Arderão nas labaredas de suas próprias vaidades,
consumindo a madeira barata de suas estratégias sem fim,
seu “modus operandi”.

Ouviremos, ouviremos, aqui do populacho, o estertor lancinante…
aqui, da massa ignara que nada apita, nada tem a criticar…
aqui, da galera manobrada, desinformada, desprotegida, insignificante
aqui da arquibancada comum, do público pagante, incauto e imprudente
Aqui da Geral, de onde ao otário só cabe assistir a todo enredo indecente
Assistiremos à morte gloriosa de todos os Salvadores das Pátrias,
e de todo herói que se levante.
Porque…
mesmo dormentes…
a nossa descrença é irreversível,
e tem mais força do que todos os jargões.

Em busca do tempo perdido

Um jovem, às vezes nem tão jovem assim…já que a velocidade vai se tornando uma ilusão real…Descrente com qualquer conversa furada de ideologia ou processo social, tem como única certeza o ceticismo…Seu tempo é escasso e fragmentado para a individuação, raramente, ou mesmo jamais, caminha sozinho recolhendo pensamentos e sensações, que ajudem a elaborar uma visão particular… peculiar…  Muito pelo contrário, se vê atirado às ruas fervilhantes das cidades, que a tudo oferecem de feérico, sumariamente coletivo, no hedonismo que visa preencher o vazio interior e o questionamento, com o ruído supostamente “transgressor”, mas que é pura entropia neutralizada e sem significado. Manipulação total de uma mídia dirigida ao esmagamento.Seu tempo é escasso e fragmentado para o silêncio, a leitura, a assimilação de qualquer estudo, nada escreve, nada cria, nada tem de mais profundo ou substancial, que o ajude a promover sua virada face às dificuldades, ou mesmo que argumente algum conteúdo que propicie transformação  efetiva à sua volta, e que dê algum resultado concreto…Cético quanto a qualquer ambição realizadora, entrega-se à negação de qualquer encaixe nas frágeis estruturas oferecidas pelo mundo. Tudo é falso, tudo é enganoso, não há discurso persuasivo que o motive a lutar. Lutar para quê, para quem, por quê, se tudo é ruína e não vai dar em nada.Nos poucos lampejos de criação, motivados por um trago de empolgação qualquer, uma tragada de delírio qualquer, resolve não ir para a festa sensórea das ruas e dar tratos à bola.Liga uma tela eletrônica e tem a tentação da rede para puxar outra vez sua atenção para o coletivo brutal, a feira moderna.

Um jovem, às vezes nem tão jovem assim..

 

Ser Pai

Ser pai

Chega uma data dessas, o Dia dos Pais, em que a gente quer homenagear o pai da gente.
Mas eu quero homenagear a própria Paternidade, a minha condição de pai, os ensinamentos e o sentido para a vida que ela me proporciona. Vou então homenagear cada filho que a vida me deu, em agradecimento supremo à vida.
Sobre meu pai, o Dr Gelson, seria um capítulo à parte, já sobejamente homenageado não só em cada momento que faço musicas, mas também em várias oportunidades, em particular, e em cena aberta também,até em Shows : me lembro de ter confessado meu amor abertamente, para o público saber, e para êle ver isso perante o mundo.Houve uma vez, no Parque do Ibirapuera,num show com orquestra,que eu o chamei pra ficar do meu lado no palco, inesquecível. Outra vez, no Palace, eu o convidei para ficar nos camarotes, com colegas médicos, e ele não aguentou: no intervalo de duas músicas, no silêncio do intervalo, ele chamou : “Meu filho!….” Não aguentei, e às lágrimas, pedí para o canhão de luz apontar para ele, e expliquei que tudo que eu fui, era, sou, e serei, sempre foi por causa dêle que me ensinou,com 5 aninhos, a “tocar de ouvido” o cavaquinho, o bandolim. E deu no que deu : tudo que êle mais queria evitar, que eu fosse artista, compositor, era também seu desejo mais secreto, e que êle demorou para admitir. Papai, eu te amo, e isso eu disse centenas de vezes em particular, olhos nos olhos, sem subterfúgios nem válvulas de escape. Sei que você está ouvindo, aí do outro lado da Vida !
Mas a paternidade que eu quero homenagear, hoje, se manifesta nos meus filhos.
Marietta, quando você nasceu a minha vida deu uma cambalhota metafísica. Durante a sua gravidez, eu fiz “EXTASE”, um diálogo com o Sobrenatural, que fica aqui consignada em sua homenagem. Nunca vou me esquecer de voce bebê, em Petrópolis, de você pequenininha, sempre doce, mamava e dormia numa boa, sem dar trabalho… Um bebê maravilhoso, uma paz. Seu signo é esse : da Paz. Lembro de levar você, bebezinho, para o palco no SESC Vila Nova, e mostrar para o público, todo orgulhoso, babão. Lembro de voce de óculos,de voce arrumadinha quando eu te pegava para visitas e te levava para o Maksoud pra ficar comigo, voce adorava a piscina quente, o hamburger gigante com fritas do Maksoud… De voce mais tarde brincando com os meninos que foram nascendo, da nossa bagunça na sala, voce era a “Change Mermaid”. De voce curtindo os anos dos especiais infantís, o Lindo Balão Azul, de voce adolescente já aprendendo a tocar musica, piano, bateria. De voce se transformando numa moça linda e alto-astral, sempre com seus desenhos e criações maravilhosas, de voce fazendo parte de uma geração muito privilegiada, criativa, fazendo parte do Afetos, dos Rockers, de suas sinapses musicais com o mundo, de seus toques, sua generosidade, sempre seu amor, não só comigo, mas com a vida, com a humanidade. Lembro do incêndio na sua casa, que lambeu furiosamente com voces dormindo,e que voces não sofreram nada, escaparam por um fio ! Proteção divina ! Lembro de voce no Coaxo, sonhando junto com este pai tão batalhador quanto alucinado. De voce cantando comigo, nos shows, que grande honra !
Sem voce, Marietta, eu não seria o que sou.
Gabriel, quando voce nasceu minha vida deu outra cambalhota metafísica. Voce estava pra nascer durante o Festival do Planeta Água, e nesse astral de eu ter você se somando à Marietta, eu fiz um montão de músicas, dedico pra você “O MELHOR VAI COMEÇAR”, que tem a cara daquela época em que fomos morar no Alto da Lapa. Lembro de você nenê aprendendo a engatinhar no carpete, perseguindo a própria sombra no chão, uma sombra forte porque a gente não tinha nem lustre no teto. Voce achava graça de não conseguir alcançar a propria sombra… Eu te ninei muito, porque voce era duro na queda pra dormir, era um chorão,um chatão ranzinza, mas eu desenvolví a técnica do “cone do sono”, em que, com voce no meu colo eu “adormecia” junto, pra depois eu “voltar” e voce embarcar…Sem o seu sono, eu não conseguiria compor noite adentro… Lembro de voce em suas lutas intermináveis com os irmãos, ( e comigo também ) você era o “Change Pegasus”. Lembro de voce no programa “Balão Mágico”, com Marietta, cantando e dançando o Lindo Balão Azul e o Xixi nas Estrelas… Lembro de você quando a gente tocou o “Tema da Vitória” do Ayrton Senna, voce num teclado, eu em outro,no Clube Naval, na festa de fim de ano da Chave….Todo mundo chorando…Lembro de voce na Disney, e depois nos “programas de TV” que voce produzia quando comprei uma câmera de vídeo…Lembro da explosão de um “vulcão” de fogos, que você foi acender no São João da fazenda de amigos, graças ao bom Deus nada aconteceu…Lembro do assalto a mão armada, em São Paulo, quando o bandido crackeado colocou um 38 na sua têmpora, querendo minha carteira, meu relógio…A vida por um fio… Lembro de você sendo o primeiro a acreditar na minha mudança pra Bahia, e vindo morar comigo pra fazer sua faculdade. Lembro de você voltando de um serão/virote de faculdade, entrando na caixa de areia com o carro, passando a centímetros da pilastra do viaduto de Itapoã… Proteção divina! Lembro que eu não conseguí ir na sua formatura, e que tenho muito orgulho de você. Que sinto um alívio enorme ao saber que voce ficou “bem criado”, uma pessoa do bem, trabalhador, cheio de esperanças neste Brasil de tanta provação.
Sem você, Gabriel, eu não seria o que sou.
Pedro, quando você nasceu, foi a terceira cambalhota metafísica. Lembro que voce era um nenê bochechudo, que o Gabriel pegava no seu pé com ciúme. Lembro de voce engatinhando e tomando uma picada de marimbondo na mão ( deve ter tentado “comer” o marimbondo, coisa de nenê. ) Lembro da gente na praia, no Posto 6, eu, Marietta, Gabriel, e você de fralda. Por essa época, fiz “Cheia de Charme”, “Fã numero 1”, mas dedico pra você a musica “OCEANO”, que marca muito a nossa passagem pela paisagem do Rio, aquele marzão nas janelas, aquele espetáculo ! Lembro de você de botas ortopédicas, pois tinha pé chato , igualzinho a mim…Eu usei botas ortopédicas até os 14 anos… E que, por minha experiência, fiz você abandonar as botas pra só andar descalço, e rapidamente a natureza corrigir sozinha… Lembro também de voce quando eu montava , com peças de sofá de espuma da Tok Stok, um labirinto para nosso “pega-pega”, eu e os (já) três filhos…Eu era o mais criança de todos ! Você sempre foi o “Change Dragon”. Mais tarde, lembro de voce brincando com as crianças do predio na Patápio, a casa cheia de toda a criançada, um verdadeiro playground…Lembro de voce quando um cavalo disparou com voce montado, e que por proteção divina voce se inclinou para trás, passando em alta velocidade,rente a um galho enorme de árvore. Foi por um triz ! Outra vez a Proteção ! Lembro de voce ao final do Colegial indo se aventurar em Tarifa, na Espanha, trabalhando no “Vesúvio”, uma pizzaria…Lembro das preocupações de voce ir para a Inglaterra trabalhar como operário, em trabalho de alto risco… Lembro de pedir pra voce voltar para o Brasil e estudar Áudio pra vir me ajudar pois eu estava montando um estúdio, o embrião do Coaxo…Lembro de voce voltando e fazendo jornalismo aqui na Bahia, vindo se juntar a mim e ao Gabriel na nossa aventura. Lembro de você rapidamente assimilando o negócio da música, e de tudo que voce tem feito por mim e pelo meu sonho ! E também pelo sonho de tantas pessoas ! Lembro também que voce já é papai pela segunda vez, e um pai maravilhoso, amoroso, responsável, exemplar em todos os sentidos. E já posso lembrar de você, Davi, um menino lindo e muito esperto, muito especial. E também de Ester, uma coisinha de menina, um presente que a Vida nos deu !
Sem você, Pedro, eu não seria o que sou.
Tiago, quando você nasceu, foi a quarta cambalhota metafísica. Um ursinho. Voce sempre foi, pra mim, como um menino de pelúcia. Recém nascido, teve bronquiolite e ficou internado, naquela noite eu chorei porque nosso nenê não estava em casa. Mas tudo correu bem, logo você estaria na praia também, pegando sol, de fralda, brincando no Posto 6, junto com Marietta ( já com 6) , Gabriel ( já com 4) Pedro ( já com 2 ) . Voce era a coisa mais fofa do mundo, com seu cabelo cor de mel encaracoladinho. Eu levava todos no Parque do Arpoador , pra voces brincarem nos balanços, nas gangorras, fazer castelinho de areia na primeira ondinha. Nas brincadeiras, voce era o “Change Gryphon”…Lembro de voces andando de bugginho na barra, eu mandando voces “brecarem”, “brecarem”, era pra eu mandar voces “freiarem”, e Pedro não entendeu, ficou me olhando distraído: voces foram com tudo no meio-fio, o bugginho virou e vocês dois foram arremessados no tufo de espinhos… Graças a Deus, nada aconteceu…Me lembro que você era o nosso “Topo Giggio”, um ratinho que morava num buraco na parede da casa, que eu desenhei com pincel mágico, com a inscrição em cima : “GIGGIO”. Fiz uma música nessa época, que eu dedico a você, Tiago – a música “IMAGENS”, feita para o Gabeira, na sua candidatura para prefeito do Rio. Era o berço do ambientalismo explícito.Lembro que voce quase foi levado pelo mar, em Fernando de Noronha, nua praia traiçoeira.Voce foi acudir Marietta, que estava se afogando. Você já havia desaparecido nas ondas bravíssimas e eu ouvi a gritaria, entrei no mar desesperado, um vagalhão me afundou, quando então, lá no fundo do mar, UMA MÃOZINHA PASSA NA MINHA FRENTE : agarrei com força, era você. Fomos acudidos por mais de 11 guarda-vidas heróicos que tiraram Marietta, Tiago, e eu do mar. MILAGRE, MILAGRE, MILAGRE, Gratidão eterna, Proteção. Me lembro de voce na Disney, no Busch Gardens de Tampa, chorando revoltado, porque não tinha altura para passar no gabarito da “Kumba”. Fomos ao banheiro, coloquei um tufo enorme de papel higiênico fazendo uma “palmilha” grossa dentro do seu tênis. Resultado : Passou no gabarito, e lá foi na montanha-russa gigantesca, totalmente proibida para a sua idade. No seu aniversário, fomos à Jacuzzi do hotel, fazer “guerra de bolo”, uma aprontação irresponsável… A temperatura na Florida estava 04 graus, a Jacuzzi estava a 38 graus. Resultado : pneumonia grave, tive que chamar um médico, e ficar dias a fio de “molho” no apartamento, junto com você. Lembro sempre do seu carisma, sempre achando graça de tudo. Lembro de voce, lider estudantil na Unirio, indo de bicicleta para a Urca. Lembro de voce e seus malabares. De voce aqui na Bahia terminando a Biologia na UFBA, e o quanto a Bahia te fez bem.
Sem você, Tiago, eu não seria quem sou.
Paola, quando voce nasceu, foi a minha quinta cambalhota metafísica. Voce veio para transformar tudo em mim. Lembro o quanto amamentei e te coloquei pra dormir. Lembro de voce, pequeninhinha,andando de cavalinho nas minhas costas.. De voce vir morar comigo, das tartaruguinhas no Tamar, você arremessando os bichinhos no mar…Lembro de eu te arremessar na cama, fazendo uma montanha com os edredons e travesseiros, com se fosse uma “modalidade olímpica”… Lembro de voce dormindo no banco de trás da Land Rover. Lembro de voce na escola, eu fingir que era um “Lagarto” e apavorar a criançada…De eu fazer gira-gira com toda a sua classe… e todos pedindo : “Agora eu…Tio…Agora eu…” Voce não pegou a época dos ChangeMan, por isso, voce é outra espécie de personagem mítica..Teletubbie. Lembro de eu pegar uma foto sua e depois fabricar no PhotoShop uma foto dos Teletubbies, onde você era a quinta dos Tele-Tubbies…Tinky Winki… Gipsy…Lala…Paola…Pô….Lembro de voce chegando aqui na Bahia e indo pela primeira vez na praia…dedinho na água, provando..e dizendo “é sagada”…Lembro de voce na Escola Panda e seus temores na mudança para o Mendel… lembro de nossas viagens, para Brasília, Cuiabá, Florianópolis ( ainda nenê ) depois Porto Alegre, Caxias do Sul, Natal, Maceió, São Luiz e os Lençóis, Belo Horizonte, João Pessoa, muito Rio de Janeiro… muita Foz do Iguaçú… lembro do quanto o seu carisma a todos conquista, por onde voce vai…e do quanto todos te amam… lembro de nossa primeira Disney, em que eu chorava tanto, de nossa segunda Disney, junto com Letícia – uma espécie de irmã que a vida te deu… Lembro de seu talento nas coisas, dos nomes que você deu à cachorra Cristal, à tartaruga Cintia , aliás “O” Cintio…, e ao gato “Caramelo”. Lembro do quanto você é vitoriosa, e sabe superar todas as dificuldades. Pra voce, Paola, eu dedico a música “PÃO”, que é explicitamente sobre a PATERNIDADE,expressa o que é esse CRESCIMENTO que a paternidade representa na vida da gente.
Paola, sem você, eu não seria quem sou.

Concluo fazendo esta homenagem à PROTEÇÃO.
Obrigado !
Feliz dia dos Pais !

Metamorfoses Ambulantes

Onde havia uma estrela, hoje existe um buraco negro tentando engolir tudo o mais ao seu redor. Só que o Brasil é grande demais para ele.

Sabemos bem que existe uma onda neo-conservadora no País, que pode se polarizar completamente à direita, aproveitando a maré dos acontecimentos da Lava Jato. Eu, particularmente, acho lamentável se isso acontecer, porquanto seja um movimento oportunista que poderá num futuro breve suprimir liberdades individuais, conquistas sociais : a minha geração,marcada pelo regime de exceção,bem sabe o que é vegetar sob um teto de arbitrariedade, censura e monitoração,indexação das pessoas.A tentação da ladroagem sob regimes anti-democráticos ( vide um certo prefeito árabe, eterno “biônico” da direita) é recorrente e velha conhecida. É a tal “velha senhora”.Sabemos também dos prejuízos históricos, dos sub-produtos institucionais que a tutela da força gerou : um deles, é justamente o tal e famigerado “foro privilegiado”, instituído para proteger os políticos discordantes da truculência do Estado.Está aí até hoje,entulho indireto do totalitarismo.No nosso dia a dia, ainda hoje vemos e sentimos o efeito nefasto de um regime de exceção que se instalou no Brasil como reação à ameaça (por sinal muito real e legítima, à época do discurso de Jango na Central do Brasil ) da nação cair sob a esfera soviética. Tudo tão óbvio. A Esquerda ainda ruminava precariamente nos meios estudantís e sindicais…Como nada na História passa em branco, a conseqüência direta desse clima polarizado (e o excessivamente longo período de tutela ) foi a ascensão do PT e seu maior carisma,Lula. Aliás, Lula é um carisma muito envolvente.Tão envolvente que hoje há uma multidão de envolvidos.Há quem diga- e não é pouca gente-que Lula foi um carisma sendo “construído”,incentivado, trabalhado,pelos membros da Anfavea , pelos dirigentes da FIESP : exatamente pelos fabricantes automotivos, para ser um líder sindical “útil” ao patronato : eu, particularmente, me espanto com isso, mas que já ouvi, ouvi isso em inúmeras pessoas que, naqueles tempos históricos,trabalharam em pátio de fábrica.Mas no mundo todo o sindicalismo é isso: a lei da selva,é cobra-engolindo-cobra, vide Paulinho da Força. Certamente,mais tarde Lula alçaria seu vôo,um vôo de águia, de falcão certeiro, de carcará, para ser mais adequado, e se tornaria a figura mais espetacular de toda a República (espetacular no sentido de bombástico, não estou aqui qualificando ).Mas quem vem primeiro, a galinha ou o ovo ? O carisma ou o contexto ? Quem faz o que ?

É o contexto social-político que faz o carisma ou é o carisma que faz o contexto ? No caso especialíssimo de carismas como Lula, não há como dissociar: um não existe sem o outro.  Podem não gostar, mas é admirável : comparando-se com ele,ainda está por surgir alguém que se lhe contraponha ! A metamorfose ambulante é perigosa, não a subestimem. Outras metamorfoses ambulantes da História foram Franco, Perón, Chávez, Lenin, Stalin, Hitler, Mao.

Agora vamos à parte que interessa nessa lógica absurda do Brasil atual.

A primeira fase da ascensão das Esquerdas se dá numa esfera “doutoral”, palatável porquanto professoral-Sorbônnica, entre “sociólololologos e antropólolologos “ de Higienópolopolopolis”, uma esquerda-soft-intelectual sofisticada,“empolada”, uma pedante“social democracia”, que ainda hoje se apresenta aí como “opção”,suuuuper bem-intencionada,foi até moda em Paris, e de resto varreu a Europa,com suas maneiras de boa-gente,por aqui trafegando em níveis estratosféricos e inalcançáveis de estratégias educacionais Gramscianas e PauloFreireanas de “preparação”da juventude para a mudança de comportamento social, com suas bolsas-escola e políticas de cotas,sua legítima busca de uma justiça social que aparasse as diferenças gritantes entre os dois Brasis tradicionais : o Brasil visível e o Brasil invisível. O problema é que essa etapa serviria de rampa de acesso à segunda fase, a chegada do Sindicalismo ao poder, com todas as suas práticas e sua linguagem peculiar, comum ao Sindicalismo em toda parte, em toda a História : aparelhamento.

Com o descolamento de Lula de suas amarras, sua alçada de vôo próprio mostrou uma potência avassaladora. O PT e Lula surgem como símbolos supremos de mudança. Ascendendo ao Poder, implementam mudanças e se orgulham de ter instituído inovações, um novo Brasil, uma nova realidade, um novo tempo.

Hoje, o Ministério Público, a Polícia Federal, estão realmente inovando: o que se vê é um quadro jamais visto. Do lado petista, uma argumentação é sólida : que a política sempre foi feita na base do aparelhamento do Estado e da roubalheira, que existe um complô ( é mais do que visível que existe uma mobilização em bloco da Grande Mídia Empresarial ), e que se fosse para criminalizar o PT, deveriam ir mais longe, criminalizando toda a História do Brasil, desde Deodoro da Fonseca, passando pelos Viscondes de Mauá, Barão do Rio Branco, Getulio, JK, Janio, pelos militares, por Sarney, Collor,Itamar, FHC…Que, não fossem as mudanças que o PT instituiu, nem haveria a Lava Jato. O pior é que tudo isso é verdade.

Mas a maior verdade de todas é que o PT não foi só o “criador” das mudanças, como se qualifica sempre. Se apropriou também,descarada e convenientemente, das mudanças implementadas pelo estágio que o precedeu.

Foi também o maior “beneficiário” das mudanças.

E só ascendeu ao Poder porque o País mudava. Nas asas das mudanças, voou em céu de brigadeiro, enquanto lhe convinha.

Agora, a “mudança” do País lhe é desfavorável. Vem então evocar, acuado, pilhado com a mão na cumbuca,que apenas deu continuidade à podridão tradicional. Que retórica barata !

O Brasil também é uma Metamorfose Ambulante.

Há 40 anos

Rua Augusta anos 70

 

Era assim a velha Augusta.

Encarapitado no fundão do ônibus CMTC, linha Largo da Concórdia, eu subia essa ladeira sonhando em como mudar a minha precariedade.

Reparem na roupa, nos cabelos dos pedestres na calçada : éramos assim.

Exatos 40 anos atrás, participei de uma gravação com Tiago Araripe ( Papa Poluição ) sob produção de Tom Zé, no Estudio Pauta, esquina da Major Quedinho com Santo Antônio – perto do Estadão… Era um estudio de apenas 01 ( hum ) canal. Mas era um bom estudio, onde conheci o Luiz Arruda Botelho e seu fiel escudeiro, o Seu Joaquim da manutenção… : tinha um bom piano de cauda, com microfone Neumann, e isso para mim bastaria no meu projeto de mudança…Egresso do seminal Moto Perpétuo, minha banda progressiva de estreia, eu procurava um meio de viabilizar minha carreira particular, meu sonho de me tornar um músico popular. Mas eu não queria ser “maldito”, ser engessado pela “contracultura” , eu me via indo além do que era oferecido pelo mundo… No ano anterior,os excelentes Secos e Molhados entraram em seu colapso, mas haviam deixado um legado importante : tudo era possível, mas muito adverso. Iacanga, o Festival de Aguas Claras, havia ocorrido em janeiro daquele ano de 75, e eu havia ficado muito mal impressionado com o que se chamava de “cena roqueira”. Essa “cena” era o que tinha : os Festivais haviam ficado para trás, com o recrudescimento da Ditadura…O Brasil era essa caretice que se vê na foto : era mesmo em branco e preto. Nossa banda era muito diferente das demais, tinha peculiaridades devido à minha profunda ligação com o Clube da Esquina, com Milton e Lô, com Gismonti, com Jorge Mautner e Walter Franco. Eu já compunha fluentemente fazendo letras que remetiam ao Nuvem Cigana, uma misturada só…E, claro, acompanhava a ascensão de Elton John, um pianista baladeiro de óculos, e me identificava também : as canções inspiradas, belas, as letras viajeiras e existenciais, tudo tinha muito a ver com o que eu já fazia há anos…Aquele estilo estava na moda. Havia uma música que tocava sem parar : Dream Weaver, de Gary Wright, era isso que eu queria fazer, com pianos elétricos, Elka Strings, baladas… Por volta desta época do ano, precisamente neste mês da Agosto de 75, resolvi fazer uma fitinha em 7,5 polegadas ( fita de rolo ) no Estudio Pauta, com qualidade razoável, que me permitisse levar cópias em todas as gravadoras : RCA,RGE,Phillips, Som Livre, Copacabana, Continental… Lá fui eu, de ônibus, de endereço em endereço, calça boca de sino, cabelão, jaqueta de camurça marron, eu era um cara simples, pobre até ( apesar da casa abastada do meu pai, eu era um “deserdado”… ) deixando minhas sementes de esperança… Mas a esperança não era muito grande, não: tempo de Censura, retração absoluta na MPB, ninguém estava contratando. O Brasil vivia infestado de temas de novelas em inglês: era um filão recém-descoberto, já atolado de ídolos brasileiros com nomes saxões : Morris Albert, Terry Winter, Christian, etc.. E todos da minha geração estavam enfrentando essa brutalidade : ou gravava em inglês , ou nada feito. Oportunidade zero. Além desses “brazileiros” ,as novelas tinham, nas trilhas internacionais, várias baladas tradicionalmente num estilo que era muito familiar para mim : apesar de “comerciais”, eu, particularmente, gostava muito do Bread, do Marmalade ( Reflections of My Life ) , do B.J.Thomas em Rock and Roll Lullaby – verdadeiros hits “blackbusters” – e era isso que eu tinha nas mãos , só que em português : era altamente improvável , mas se desse certo, eu ficaria cara a cara com o sucesso que (quase) ninguém estava sendo capaz de produzir. Mas eu tinha um precedente importante, mostrando o caminho Naquele ano de 75, o disco Fruto Proibido, e a Ovelha Negra de Rita Lee. A Som Livre se mostraria mais tarde o lugar certo pra mim…

Lá em baixo na Augusta, perto da Estados Unidos ( exatamente nesse trecho da foto ) ficava a filial paulista da Som Livre, no primeiro andar de um predinho comercial, e eu subí aquela escada para deixar uma cópia da minha fitinha em 7,5. Fui recebido por uma secretária, a Suely, e me sentei ali, na recepção, querendo falar com o produtor Otavio Augusto Cardoso, o “Pete Dunaway”, que havia sido cantor do Memphis, uma banda paulista importante na minha recente adolescencia… Na sala ao fundo, estava o Diretor Comercial da Sigla, Antonio Paladino, espichou o olhar curioso enquanto eu conversava com Otavinho. Este disse não prometer nada, mas que ia ouvir minhas musicas e que me ligaria caso algo interessasse.

Isso acontecia há exatos 40 anos.

You´re a Lady

Quando ouço falar do racismo, de qualquer racismo, como esse contra a moça do tempo, me dá um nó na garganta de indignação porque me lembro da imbecilidade e truculência de um número considerável de “seres humanos” – se é que se pode chamar assim – que fazem questão de ser escrotos por puro divertimento.
Por um acaso, sonhei com esta música hoje.Fui procurá-la na Rede. Vejam o que achei…
Vejam neste filme o que esse espírito de inadequação é capaz de produzir. Esta canção é uma das mais belas de todos os tempos. Ficou no meu imaginário emocional para nunca mais sair. Este vídeo é o único registro que eu consegui encontrar do genial Peter Skellern cantando “You´re a Lady” . Como é possível haver, neste vídeo de televisão, numa platéia “sem noção”, um grupo de “assholes” , um “assortment of jerks”, deixando para sempre sua marca de babacas eternos : os folgados acham que o mundo existe para aturá-los. Mas não é bem assim.
A feiúra da truculência folgada fica para sempre, como uma nódoa, um monumento indestrutível à pequeneza de uma parte da humanidade.
Assim como fiz um dia no meu “Tributo – Cena de Cinema” do disco Lotus….eu dedico este vídeo a todas as pessoas que, como a Maria Julia, a “Maju”, tiveram da platéia o desdém da ignorância, o riso esgar da desatenção, as piadinhas idiotas.
Para lembrar que o mundo não existe para aturá-los : existe para filmá-los, existe para exibí-los eternamente, implacavelmente .