O País-Presídio

O que vou falar, não é por mim, que sou feliz aqui, sou alguém com muita gratidão pela minha terra, pelo meu povo, pela minha sorte. Quando penso no meu caso, me considero uma exceção: o Brasil é o meu lugar,e não me faltam convicções pra lutar e seguir em frente, porque aqui sou considerado, sou “alguém”, então ainda deveria ser o melhor lugar do mundo, mas ninguém é feliz sozinho…

Olho para os lados, pensando nos outros, nos compatriotas, e vejo desânimo, quebradeira, fracasso, medo, então penso o quanto esta reportagem está equivocada.

O Brasil em si é um presídio.

A população,refém da bandidagem,de quadrilhas e milícias diversas,só tem esperança no “mundo livre” que existe fora das grades,ou seja,além-fronteiras.

Uma população perdida,amedrontada e entristecida, humilhada,explorada por uma crescente e escorchante “escravização tributária”,eternamente cansada de mentiras por todos os lados, descrente em toda e qualquer Autoridade. Pois quando se faz Justiça, muito pouco se cumpre, por força do emaranhado ridículo de válvulas-de-escape jurídicas,atalhos,galerias e túneis imundos e fétidas rotas-de-fuga, toda uma engenharia furtiva,característica do ambiente carcerário…

País-Prisão.

Exilado por um idioma belo, porém exótico no mundo, exilado por uma distância geográfica que o impede simplesmente de embarcar em barcaças de traficantes de gente ( como uma África desesperada buscando uma Europa em pânico), o povo brasileiro tem um Oceano Atlântico de desalento e de impossibilidades. Terra da impossibilidade: para tudo, a primeira resposta nacional é “não”. Tudo é negativo, tudo é “não”. Para tudo, o “Poder Público” balança-o-papo e diz que “não é possível”. Nada é possível, tudo são só dificuldades. Não tem segurança, não tem aula, não tem consulta médica, não tem radiografia, não tem exame, não tem merenda, não tem transporte, não tem vaga, não tem emprego, não tem nem mais o bom futebol, míngua a boa musica popular, é a própria “bananolandia” perdendo de sete-a-um em tudo. 
Só falta decretarem a feiúra da mulher brasileira.

Fosse um mero Mediterrâneo, hoje, com essa crise, haveria um Êxodo em dimensões bíblicas…

O que é isso, senão um Degrêdo ?

Aqui dentro, vigora a Constituição mais sumária do mundo:

Parágrafo 1. Lei-do-Cão. Cada um por si.

Parágrafo 2. Lei de Gerson.

Parágrafo 3. Lei do Menor Esforço – afinal, trabalhar em prisão é proibido por cláusula pétrea.

Fim da nossa Carta Magna: o restante do texto, é pura balela. Essas são as nossas “leis que pegaram”…

Punição mesmo,efetiva,para os delinquentes e crápulas,somente por iniciativa dos Judiciários do exterior. Vários desses cínicos facínoras são “excelências” dos nossos ilustres quadros políticos,com seus “foros privilegiados”,e têm na Pátria Mãe Gentil um abrigo seguro, já que,se colocarem os pés lá fora, seriam imediatamente presos, pois são procurados pela Interpol por crimes em escala mundial. Quando ví a nomeação daquela notória múmia podre, nas vésperas da Copa do Mundo do Tatú, não acreditei…Só cavando um buraco na terra, só mesmo indo pra baixo, pro inferno.

O que é um país assim, senão um Grande Presídio ?

Também para os ricos, na ilusão de suas celas-de-luxo, em seu mundinho onírico de faz-de-conta, os ricos sonham, se enganando de que desfrutam de liberdade. Tudo uma fraude : Só estão numa “ala especial” do mesmo presídio. 
A vida de ninguém não vale mais nada.

Ao povo resta orar e confiar no Plano Sobrenatural, abandonado à propria sorte pela “Brasilha da Fantasia”, cujo arquiteto, o talentoso Oscar Niemeyer, se arrependeu de haver projetado em formato de avião – o comunista convicto Oscar gostaria de ter projetado a “Brasilha da Fantasia” em formato de camburão…

O que é uma Pátria desalmada dessas,senão uma imensa Penitenciária ?

Seria desde os primórdios lusitanos, um desterro criado para esvaziar as masmorras lusitanas ?

Fico lembrando a teimosia de nossos pais, avós, bisavós, que lutaram e trabalharam tanto, que não trocariam o Brasil por nada…Muitos que vieram das misérias da Europa, do Japão, das Guerras, que tinham no Brasil um horizonte para respirar…Fico triste lembrando da infância, a gente era criança e já escutando muito sobre as precariedades deste país, a roubalheira, será que nunca iria se aprumar e prosperar de uma vez ?

No ânimo nacional, na real, a “taxa de aprisionamento” hoje, tende a 100%. 
No passo que vai, em breve poderemos ser 200 milhões de refugiados, sonhando migrar para outras terras de esperança.

Infelizmente, esta reportagem não reflete a realidade :

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,em-6-anos–taxa-de-aprisionamento-aumenta-33-no-brasil,1711906