A pretensão da Pólis

Porque todo aquele que, se intitulando ente “politizado” se arvora a ter soluções para uma sociedade , ou é político, ou seja, profissional da presdigitação, da empulhação e do ilusionismo , ou é bandido, querendo álibi e perdão nas brechas da lei esponjosa de uma sociedade esburacada , ou é o “famoso útil” a uma “causa justa”, querendo aparecer por motivação extra-talentos, marqueteiro sem escrúpulos posando de idealista, vendendo seu peixe podre como produto de luxo.
E porque as três coisas se confundem….

Ou melhor, ( ou pior ) porque o ser político é intrínsecamente um enganado enganador. E que até acredita na sua Divina Comédia Humana !

Viva o ser humano que tem os pés no chão, carregando a História Real no lombo do seu anônimo dia-a-dia !

Gilbert

No esplendor dos 20 anos, um gênio em ação.
Esse garoto do vídeo é o maior inspirador de toda a minha carreira musical.
Vejam que incrível ele é.
O talento, a voz, as harmonias, as letras inspiradíssimas, o “style” de Dublin… 
Ah !… A Irlanda … além de tudo é Celta, como a minha adorada Galícia …
A Irlanda, com seus poetas, seus músicos, foi lá da Irlanda que veio tanta coisa em mim…nem sei porque…deve ser algo ancestral.
Ao ouvir esta música,até hoje, não tem pra ninguém.

GILBERT O´SULLIVAN , the best !

Tudo o que eu mais queria ser !!!
Quem quiser realmente entender quem sou eu, adentrar no
” Meu Mundo” e decifrar de onde eu tirei muitas inspirações, precisa conhecer esse grande artista, muito além dos maiores “hits” que ele compôs e cantou com tanta , mas tanta personalidade.
E, como eu, “still alive-and-kicking”…

Eis a minha maior influência na vida.

 

Manuscritos

Um dia, numa arrumação do estúdio, encontrei uma caixa com as fitas k7 onde eu alinhavava os “demos” de inúmeras fases, e uma sacola com vários cadernos antigos, muitos com espiral enferrujado, pastas com papéis soltos amarelados pelo tempo, versos datilografados com garranchos de correções… Nos cadernos, sucessivas versões de letras ainda em fase de criação…
Por coincidência (ou não…) por esses mesmos dias ganhei de uma fã um livro contendo as letras dos Beatles, em fac-símiles dos manuscritos originais, e contando como é que foram criadas as muitas obras-primas dos fab-four… Um puro deleite de se ler!
Ah! A memória é tudo …especialmente quando se tem lendas pra contar…Então essa minha seção-museu também poderia ser um tesouro …
Resolví, então, agregar esse meu material nas comemorações da minha carreira de 40 anos. Pois aqui está.
Nesse conjunto, o motivo das lacunas de alguns períodos é que se perderam, por exemplo, os cadernos do “A Cara e A Coragem”, e vários outros, com muitas mudanças de casa e de modo de vida… Outro motivo é que, uma vez gravadas em disco, as letras e fitas-demo não tinham porque serem guardadas. E eu não sabia que a carreira iria durar o que durou, e nem exatamente o que eu iria significar, com o tempo…O fato é que esses dois pacotes, o de fitas-demo em cassettes e o de cadernos e papeladas soltas de letras, ficaram guardados por puro acaso. Houve vários períodos em que eu, acometido por raivas e revoltas, joguei muita coisa fora, são os meus “incêndios de Alexandrias”…não sei como este material sobreviveu…Aliás, pensando bem, não sei como a gente sobrevive, porque uma coisa inerente à memória, é ela ser apagada, mais dia, menos dia…
Hoje, eu não tenho como “fakear” e fazer de conta que um papel, ou um “demo”, é de uma época em questão… Seria feio da minha parte “inventar rascunhos originais” – a beleza desse material é a “minha descoberta” deles, 40 anos depois… Juro que eu relutei por muito tempo, em abrir esses baús, porque a gente fica mais e mais envolvido com o presente e com o futuro, e a revisitação de “outras vidas” muitas vezes é dolorosa, há um transporte no tempo e nem tudo são flores lá atrás – apesar do passado estar confortavelmente ( e situado seletivamente ) numa zona de prazer e “segurança”. Mas ao olhar minha letra e ouvir minha voz, algo me causa um estranhamento, não sei o que é.
Parece que foi outra pessoa que passou por ali…
O fato é que muitas estátuas de nosso passado estão mesmo sem braço, sem cabeça, mutiladas pela ignorância do tempo.
Também houve um período, com a entrada dos PCs e Macs nas nossas vidas , que a gente passou a fazer tudo no computador…e esse efeito é devastador, porque só permanecem os produtos finais, em sucessivos “salvamentos” que soterram o caminho : resta apenas o “produto”.
Mas eu redescobrí, depois de 2007, o prazer de fazer cadernos, a princípio esparsos, e já em 2013 voltam a ser sistemáticos, com a feitura do Condição Humana.
Hoje eu sei profundamente que o bom mesmo não é a paisagem da chegada, mas a experiência do caminho.

Faísca Avançada

Quando a vaidade transforma figuras notáveis em patéticas…

Eu era uma criança alegre, gostava de pescar, de ler Julio Verne, Monteiro Lobato e Machado de Assis. Brincava de correr em carrinhos de rolimã, esfolando mãos, braços, joelhos, escangalhando tênis no cimento caótico das calçadas das Alamedas Campinas, Jaú e Itú… Tocava piano toscamente, mas com prazer, me recusando a me alinhar aos ditames dos Czernys , dos Hannons torturantes , e era considerado um estudante de quinta categoria pelos esforçados professores que Papai contratou , os adoráveis Gorga e Hélio… Papai achava que eu tinha que ser algo mais… sonhava pra mim com os salões da Europa em concertos de Tchaikovsky , Rimsky-Korsakov e quejandos…que eu admirava, de coração, mas não conseguia me enxergar naquilo… A minha onda era outra… Eu me amarrava na simplicidade piramidal de Bach, e os que eu gostava de fato, Chopin, Beethoven, e mais tarde, Debussy e Ravel, Papai não era muito chegado não… Mesmo assim eu encontrava, ludicamente, na música, uma alegria, um frescor que até hoje não consigo descrever…uma identificação profunda, que não tinha nada a ver com os rigores acadêmicos obrigatórios.

Na música, é muito comum haver uma completa desconfiança com as prodigalidades de crianças e adolescentes, quando o jovem demonstra desembaraço e criatividade, logo os “pedagogos” tratam de “cortar as asinhas”, e os exemplos de crianças como o pequeno Mozart, que Papai citava constantemente, que “dormia em baixo do piano”, que “fazia concertos aos 5 anos de idade”, etc… o geniozinho tendo apanhado diariamente para se coadunar com a teoria musical…eu achava tudo isso uma palhaçada e nunca dei ouvidos, literalmente eu pouco estava me lixando para a infância de Mozart, para a tuberculose de Beethoven, para os dramas existenciais de Chopin…

Eu preferia meus carrinhos de rolimã, e escutava os discos da gravadora Elenco, com Baden, Tamba Trio, Nara Leão, Edu Lobo, com a mesma pouca-cerimônia de quando colocava Jorge Ben, as Canções Praieiras do Caymmi, Luiz Gonzaga, ou mesmo a magistral caixa de interpretações da Wanda Landowska ao cravo, para repertório barroco ( Haendel, Couperin, Rameau, Scarlatti ) . Pra mim, música era uma alegria só. O que me atraía mesmo eram os sucessos no Rádio, Trem das Onze, Ray Charles com “I Can´t stop Lovin you”… e as feéricas tardes de domingo com o Jovem Guarda , assim como o filme A Hard Days Night.

A música que me interessava tinha que ser fácil de fazer e fácil de gostar. Ponto final : algum problema nisso ? Em ver a música como uma arte deliciosa, de prazer , e não um flagelo de torturas e submissão. Isso era coisa relacionada aos rigores da erudição.

Certa vez, o Dr Gelson me levou para o meu caso ser “analisado” por um casal de “entendedores de música erudita”, e, de pronto, fui classificado como um exemplar clássico de “Faísca Avançada”, que é aquele jovem que, por causa do talento criativo, é um problema pedagógico. Eu achei isso uma piada…

Quer dizer que existia essa tipificação doutrinária nos meios acadêmicos…Com o passar dos anos, fui aprendendo que é assim mesmo, que o mundo é repleto de acadêmicos catiçadores : qualquer pessoa que apresenta qualquer tipo de “vaidade criativa” deve logo ser enquadrado pelos verdadeiros “connaisseurs” e devidamente colocado em seu reles lugarzinho dos zé-ninguéns…

Mais tarde, já no tempo da Faculdade e pós-tropicalismo, eu comecei a reparar que tudo era uma questão de “griffe” , surgiriam os louváveis “Discípulos de Smetak”…e já nos pedantes anos 90 de Yuppies e Hipsters , em plenos tempos de Drum N´Bass revisionista da Bossa, os veneráveis “Discípulos de Koellreutter”. Tudo conversa de quem ouviu-dizer acerca da erudição , tudo lixo, tudo gancho de marketing. Smetak e Koellreutter são figuras adoráveis, e concordariam comigo em gênero, número e grau, e eu tenho, sim, a (boa) inveja de quem pôde conviver com eles. Os dois iriam adorar ensinar muito pra mim, trabalhar com esta “Faísca Avançada”… Os maiores citadores-de-nomes-referência-do-meio-acadêmico só ouviram falar dos mestres… E os trouxas compram esse pacote-enganação… Daí tamanho desdém com quem usufrui do delicioso prazer da música, onde o maior sucesso é entrar na vida das pessoas e banhar os amores com os sons de uma criação espontânea, fácil. Ninguém precisa desses empolamentos pretensiosos dos meios acadêmicos, feitos de pura arrogância e vaidade. E isso se aplica a vários outros gêneros de atividades humanas. Pra quê tanta Pós, tanto MBA , tanta certificação, se o mundo continua a mesma titica de sempre ?

Hoje, eu vejo tudo isso de forma diferente, com perdão e compaixão, porque são expressões da vaidade. O talento verdadeiro tem, também, sua dose de vaidade embutida…Mas a vaidade dos desprovidos de talento também existe, e se direciona no sentido de diminuir a facilidade alheia em se expressar, criando zonas de excelência, manuais de pré-requisitos e ritos de iniciação.

Um dos problemas que eu enfrentei com os professores foi a moda da Bossa-Nova, refinada, sim, bela e eterna, sempre, mas onde se alojaram inúmeros exemplares de uma cultura musicalmente esnobe.  Meus professores de piano, claro, tinham na Bossa-Nova uma referência de sucesso, onde a técnica virtuosística passou a dominar, e onde o músico com maior formação acadêmica era o artista mais valorizado. Começou a ficar chatinho, pro meu gosto, até porque o mundo era invadido por uma onda de simplicidade genial, a Beatlemania, fazendo dez vezes mais sucesso, numa tsunami globalizada… Houve um período em que a simplicidade da Bossa foi agregando virtuosismos mais e mais empolados e, metidíssimos, se tornaram figuras insuportáveis em termos de cagação-de-regras.  A Bossa já não apresentava a mesma leveza genial do início do movimento, onde a simplicidade se aliava à qualidade criativa, surpreendendo o mundo. Nessa segunda fase da Bossa, por um lado,  a MPB já agregava conteúdos social-nacionalistas, folclorísticos, e surge o discurso de resistência política, em face do momento histórico no Brasil.  Fica, então, a música popular refém de duas desastradas correntes de exigências. Nas letras, nacionalismo socialista. Nas melodias e harmonias, a praga da erudição. É quando eclode o Tropicalismo, resgatando a alegria de fazer música e a liberdade criativa explode, agregando as lições da Jovem Guarda. Penso mesmo que a Jovem Guarda e o Tropicalismo são uma coisa só – mas isso é opinião pessoal.

Uma geração inteira de craques na música eruditóide ficava pra trás. Fazer o quê ?

Outro dia, eu estava vendo uma filmagem, com um ícone dessa nobre estirpe, rodeado de jovens músicos da Geração Baixo Augusta babando ovo, e fiquei só observando os efeitos da vaidade, no discurso, no “rasteiro filosofes”, e me lembrei de quantas vezes fui esnobado por bossa-novistas mais rancorosos… Não foi uma vez só. Foi desde a infância.

Sorte minha foi a simplicidade e a generosidade do grande Tom Jobim, pra me dar uma força, com suas palavras de incentivo. Sorte minha foi ter ouvido do próprio João Gilberto as palavras que eu ouví. Tem figuras da Bossa-Nova que não precisam de vaidade nenhuma.

Uma vez, bem mais recentemente, em Nova Iorque, eu estava lançando meu instrumental de piano, distribuído pela Sony, mas 100% independente, com um concerto no Steinway Hall, onde eu gastei, do meu bolso, 25000 dólares, num esforço descomunal, uma produção e execução completamente solitária, contra tudo e contra todos… Tive até que vender meu estudiozinho no Itaim pra pagar essa aventura…  E esse mesmo “ícone da nobre estirpe” da Bossa Nova estava fazendo um show coletivo com mais dois outros “ícones da nobre estirpe”, (exemplares clássicos) e eu caí na besteira de ir lá assistir ao show e depois ir ao camarim, presenteá-los com meu CD instrumental, com o maior orgulho e simplicidade, com a maior pureza de fã, e ouvi , pasmo, um comentário de que a “Sony” estaria me proporcionando tudo aquilo, isso dito com um certo desdém…”Olha só, quando os caras querem, o que eles são capazes de fazer…”  Só faltava emendar “para um mequetrefe como você, Faísca Avançada…”

Mas só que aquele disco era uma vitória pessoal, solitária, quixotesca, sem a menor participação de ninguém, e a observação ficou sem sentido, no vazio. A maioria dos “eruditódes” não sustenta o discurso e se perde no caminho, quando se mete a ter muito “senso crítico” sobre o mundo.  Pois é…A vaidade de uma suposta “erudição” se mostra, em todo seu esplendor de rancores, falando demais, e nada como o tempo pra depurar.  Hoje, eu acho tudo muito ridículo.

Fico então na maior atenção com a vaidade…

Às vezes o mundo diz que a gente é uma bosta – na maioria das vezes.

Outras vezes – raras -o mundo diz que a gente é o máximo.

É bom tomarmos cuidado com ambas. Não acreditar em nada que não é dito com o coração.

 

Engendrando na calada

Às vezes eu mesmo me assusto com a “desligada” geral que promoví recentemente…Mas já tô dando as caras de novo…É que estou com um trabalho novo na prancheta, e sem tempo pra compartilhar migalhas ou fragmentos de idéias… Tudo está indo para o conteúdo… que vem aí…espero, com caldo substancioso de presente pro mundo!

Preciso urgentemente desovar uma nova “coleção”…Que cumpra minha função de trazer novidades pra dentro das vidas das pessoas.. Que faça cantar, de fato, menos blá blá blá … o “discurso sobre a realidade crua” está cansado e inútil !  O mundo precisa de inspirações, sonho, delírio, romance, tudo que se consubstancia naquilo que sei fazer de melhor – se é que sirvo pra acrescentar alguma coisa… isso é que eu gostaria de exercer como função social e política : fazer cantar. Sem isso, todo raciocínio “articulado”, “antenado”, “inteligente”, vai tudo por água abaixo !!!

Tomara que dê certo ! Desta vez, estou profundamente ocupado em me perguntar, em me responder, afinal, o que é que as pessoas gostariam de ouvir…

E isso dá trabalho…

 

Computador, Gravador cassette e Torradeira : eu sou mais os Novos Baianos !

ProTools e MIDI : uma novela chata e sem final feliz !

Estou fazendo repertório novo, então é aquela luta de esgrimar com acordes, intros, versos, os velhos caderninhos de sempre…

Mas bate uma saudade danada da estrutura antiga, analógica: gravadores, fitas cassette, piano, e principalmente gente, músicos, produtores, técnicos, staff de gravadora, reunião de repertório, tudo isso é passado… Hoje tudo desembocou nos processadores, memórias RAM, HDs, pendrives, e os programas de informática são a nossa única companhia leal  ao longo da árdua jornada de transformar sonhos imateriais em compartilhamento humano … Como isso é fascinante, é certeiro, mas ao mesmo tempo precaríssimo !

Vivemos dependentes de computadores pra tudo. Estão por toda parte, e o dia em que o Sol decidir radicalizar o efeito Carrington estaremos literalmente ferrados, num suave Armageddon  : eis o Apocalipse mais provável, em toda sua majestosa realidade : somos extremamente vulneráveis, mas nos achamos os Reis da Cocada Preta…      ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Tempestade_solar_de_1859)

Hoje vou transcrever as agruras desse caminho, quando construímos um majestoso castelo de cartas empilhando premissas duvidosas que nos empurram literalmente para uma areia movediça…Mais dia, menos dia, as pessoas “travam” com uma atualização indesejada, um vírus qualquer, um “bug” de sistema, uma tela azul da morte, e a vida para de fluir. Tudo vira um inferno.

Ora direis…computadores… Os Macs são espertos, mas a indústria é traiçoeiramente cara e implacável… Se formos contabilizar, inúmeras casas, sítios, apartamentos, carros, viagens, foram trocados por essas geringonças que, mais dia, menos dia, se tornam antediluvianas, vestígios remanescentes de uma saga,  dessa Epopéia, que tem sido uma aventura sem fim.. Lá no longínquo ano de 82 eu alugava o primeiro Apple, e fazia um curso de Basic…Em 83 eu comprava um IBM PC , acho que era um 086, pra rodar o paleozóico Sequencer Plus da Voyetra ( atual Turtle Beach ). Foi a era MIdi, a comunicação dos computadores com os teclados eletrônicos. Com isso, conseguíamos ritmos, contra-baixos e pré-produções SEM DEPENDER DE PESSOAS…Eis a chave dessa Era maluca : a autonomia , não depender de mais ninguém pra fazer as coisas. O escritor não depender de diagramadores, linotipistas, das fábricas de livros e editores, o fotógrafo não depender da revelação, dos caríssimos laboratórios , o videomaker não depender mais das ilhas de edição, mesas de switch, gravadores de U-Matic, Betacam, tudo a um custo proibitivo… e nas mãos das empresas de comunicação… Mas demorou um pouco para o músico não depender mais dos estúdios com pré amplificadores e mesas caríssimos, os gravadores de fitas Ampex, os MCIs, os Studer, tudo de valor estratosférico, nas mãos dos poderosos barões do Disco, com toda sua pompa e circunstância… Essa revolução pegou todo mundo. Os computadores a partir daí impactaram todas as atividades, médicas, odontológicas, na arquitetura e engenharia, ( imaginem o Autocad a revolução que fez …) nas artes plásticas, no design, na propaganda, na advocacia, na logística, Início de uma miragem, um grande delírio…Afora uma quantidade inumerável de 286s, 386s, 486s, Intel Cores, de placas de áudio, placas de USB 2 , placas de Firewire, todos quebrando implacavelmente um dia, chegamos gloriosamente aos I3, I5, I7,  num caminho inacreditável de Windows 3.1, Windows 95, Windows 98, XP, Vista, Windows 7, Windows 8, caraca, esses caras ficaram quaquilionários não foi à toa… Como os Apple são um capítulo à parte, tenho um verdadeiro museu vivo, com vários Macs de várias gerações, ( e todos funcionando )… desde os Motorolas 040 Mhz…CI, Quadra, ainda com arquitetura NuBus, rodavam com placas de áudio e vídeo caríssimas na época… ( os velhos Sound Tools  da Digidesign e os Radius VideoVision ) … O programa mais importante dessa era dos anos 90 eram o Digital Performer da Mark of the Unicorn… Depois veio um Centris, que já trazia simultaneamente Nubus e PCI… Ah ! a chegada do PCI … Daí pra frente, é um disparate : chegaram à turma um G4, um G5, ambos Motorolas – os famosos Power PCs, e depois ainda viriam o MacPro, o IMac, o Mac Mini, o MacBookPro, e isso promete não parar mais.

Mas o que eu quero contar aqui é que eu montei uma estruturazinha pequena em casa, com um PC ( Windows 8.1 ) um piano Nord , e um microfone, pra fazer musica…Comprei recentemente uma mesinha Yamaha MG10XU, com USB, que me prometia um paraíso em casa : um mixer para voz e teclados, que ainda é interface de áudio, 192 KHz…Ao ligar, tive que baixar o driver Steinberg ( o aparelho é concebido com o Cubase como DAW …) Tudo parecia muito conveniente, mas logo apareceram os poréns… O driver simplesmente é errático, e não se comunica bem com o ProTools, dando “interrupts” de CPU a toda hora. Precisa ficar sempre checando se está em 44 ou 48 Khz, toda hora abre musica fora do tom.

A mesinha lamentavelmente não tem MIDI , uma moda nova dos fabricantes de interfaces : você tem que comprar um cabo midi separado , e eu comprei o dispendioso, excelente, UM-ONE MK2 da Roland…Que moda é essa agora ? Interface sem midi porque ? A Universal Audio também me aprontou essa surpresa lá no estúdio, quando montei um servidor só pra rodar a Vienna Collection…Voce chega em casa, desempacota sua nova interface, louco pra experimentar, e ela não tem MIDI… simplesmente não toca nada !

Só que a combinação nefasta do Windows com Protools também não gosta muito dessa interface, então não manda MIDI nenhum para fora… O MIDI só funciona para entrar a informação, não funciona pra sair , porque teclados com MIDI são coisa do passado… Tentei de tudo , todas as dicas na internet foram tentadas, TODAS falharam. Uma joça. Ontem, domingo, eu perdí meu dia por causa dessa bagaça. Quando o computador cisma de não funcionar, não tem acerto : a vida para, tudo para, mexe daqui, mexe dali, daqui a pouco não funciona mais o que funcionava … Só faltava a dica definitiva, mais comum, na Internet : formatar o HD e reinstalar o Windows , tudo da estaca zero… Mas e os meus plug-ins que têm número limitado de autorizações ??? Como é que fica ?  Fui então voltando pra trás … Tive que desinstalar completamente os drivers Steinberg e Roland, desinstalar completamente o chato do ProTools , instalar uma velha inetrface M-Track ( que tem MIDI  embutido e o PTools gosta dela porque é da “mesma família”) e reinstalar solenemente o ProTools em cima de uma plataforma estável de áudio e midi. Funcionou ? Sim, funcionou. Funcionou muito mais pra bater uma saudade danada do velho gravador National , da velha fita TDK, do velho caderno de letras : saudade dos anos 60, 70, 80 …O computador que virou Rei do Mundo na década de 90 , década “fake” de muitas mentiras , década da Morte das Utopias, é apenas uma máquina de escrever metida a besta. Quando não serve nem pra escrever nada , é como um liquidificador que não é capaz de bater uma vitamina, uma torradeira que não torra nada, só serve pra torrar a paciência da gente.

Perdí meu domingo. Márcia me viu naquele estado de decomposição moral que acomete todo mundo quando o computador não quer colaborar. Ainda bem que no sábado fomos ver os Novos Baianos na Concha. Isso sim é que é programa bom pro final de semana !

Tempo Tirano : “AQUI, Ó !!!”

Ano Novo… Pro ano que vem, mais uma vez fica uma porção de pequenos detalhes da vida, como finalmente abrir aquela partitura de Debussy, sentar ao piano e poder voltar a uma dimensão atemporal, que sempre ficou pra depois… como…abrir aquelas sonatas de Scarlatti e mergulhar no cravo, sem me lembrar mais de nenhuma modernidade … como… finalmente alinhar aquele telescópio guardado no depósito de inutilidades, e acompanhar um Jupiter, uma lua que fosse, gigantesca na lente, impossível de perder de foco…e ao longo de uma noite de céu estrelado, sem a dor na coluna pra incomodar, sem as muriçocas e borrachudos usuais, …encontrar Saturno…como… finalmente terminar aquele texto que nasceu inspirado mas sucumbiu ao cotidiano esquecido num rascunho no fundo da bolsa… terminar aquelas canções eternamente inacabadas… como… voltar a ficar na oficina, trabalhando com madeira, com linhaças e lacas, remontar aquele gravador cassette que está desmontado na bancada … como… recuperar aquele computador 386, pra rodar aqueles programas primitivos em DOS, que não existem mais… como… voltar a ligar aquele Mario no Nintendinho da sala, e ficar, como eu ficava nos anos 80, perdendo tempo tão precioso… como… tirar uma tarde de bobeira pra ficar perambulando pela cidade, só vendo coisas e tendo idéias, nada de prático ou mais urgente do que simplesmente viver…
O ano de 2016, que ora se vai, tentou ser cruel comigo, mas foi fragorosamente derrotado. Pudemos passar o Ano Novo revisitando a Espanha, tomando Cava na Praça do Sol… Pude fazer um monte de cirurgias de manutenção… Pude casar com Marcia, meu amorzinho, numa festa pequena, mas chiquérrima de cores, sabores e humores tão delicados… Pudemos arrumar o ninho… Pude ver minha filha mais nova andando de bicicleta em Celebration, Florida, de cara pro seu futuro, e hoje, mais do que nunca, sem medo de nada e nem de ninguém…é uma mulher.
Pude dizer pra cada um dos filhos, mesmo aos mais distantes, sobre o meu amor e lealdade, não perdi oportunidade de manifestar meu amor, fazer cafuné nos netos, nos gatos, pude me despedir dignamente da cachorrinha que partiu, e em matéria de amor, fui privilegiado por não deixar nada pendente em tempo algum, nem no passado e nem no futuro. Pude, neste ano, aproveitar o tempo de balanço-geral e fazer milhões de pazes com várias personalidades, reatar sinapses desmanchadas, reforçar amizades e enterrar velhas implicâncias. Pude terminar de contar em vídeo as minhas Histórias de 40 anos de carreira, desovar isso no implacável mundão tresloucado, junto com minha caixa de Obras Completas, com libretinho detalhado com curiosidades impecáveis…Não é pouco, não : aqui, ó, pra você, Tempo Rei, Tempo Tirano, agora ninguém me impede mais de amarrar esse Pacotão… Pude tocar no Municipal do Rio, lotado-até-a-tampa pra me ver ,sozinho com um piano no palco…Pudemos fazer shows memoráveis, como em São Paulo, em BH, em Brasília com a Filarmônica, tudo muito inesquecível… Pude ser tão bem recebido em Cadernos de Cultura, em rádios e na televisão… Ainda, no finzinho do ano, pude trazer minha mãe pra Bahia, andar na praia com ela, levar pra tomar sorvete na Ribeira, visitar o Bonfim, passear no Shopping, comer acarajé, inutilizando “dias úteis” inteiros, dias “de semana”…só pra ela provar o sorvete de Coco Verde, Banana Caramelada, Amendoim, Bacuri, Cajá, Tapioca.
Prometo que, em 2017, aliás nos anos vindouros -todos- esse Tempo Tirano será encarado como um Tempo Brincalhão, e vou realizar o restante de todas as “pequenas inutilidades” absolutamente inadiáveis que o cotidiano insiste em deixar “pra depois”.
Aqui, ó !!!!

Roda da Historia

É triste olhar em volta e só constatar estagnação e desânimo. Vejo, ao cair da tarde, os comerciantes fechando seus estabelecimentos com um olhar perdido, de mais um dia perdido, de um tempo perdido, de uma geração perdida, um olhar vago no futuro incerto. Que esperanças fazem essas pessoas reabrirem a suas lojinhas, quando, amanhã, o sol raiar ?  Vejo os jovens procurando um caminho e encontrando o nada, a negação, a sensação do fracasso. É deles o fracasso? É dos milhões de desempregados a culpa? A culpa é de quem acreditou, votou, trabalhou, pagou impostos escorchantes,sempre dizendo: uma hora vai dar certo? A culpa é dos nossos pais, que estavam trabalhando em troca de parcos salários e não tiveram tempo para serem espertos e ganharem dinheiro de verdade, como sempre fizeram os parasitas?

A culpa é da precariedade, vulnerabilidade da Pátria. A culpa é da prodigalidade desta terra : muita fartura também vicia. O brasileiro é um eterno pobre, iludido com as “riquezas nacionais”. Mesmo ( e especialmente ) os crápulas miliardários, ridículos com suas jóias roubadas e carrões sonegados, seus luxos desconexos com a realidade, sua soberba desmesurada, acabam sendo infinitamente mais pobres e miseráveis do que os desamparados mais pobres de marré-de-ci… O “ranço de pobre” ( que nenhum perfuminho de griffe, nenhuma plástica, nenhum almofadismo, conseguem disfarçar ) está enraizado na alma dessa escória que rouba merenda escolar, que aparelhou o Estado, que acredita na grana como Poder e no Poder como Refúgio Supremo. Quanta ilusão ! A Lei da Causa e Efeito não tem refúgio! Por mais “Fôro” que tenha, é miserável, está condenado e ponto.

O Brasil ainda é uma UTOPIA. É apenas uma idéia, e quase nada mais. Mas uma idéia ainda não realizada, ainda cheia de gambiarras. Brasil, a Pátria dos Remendos, dos Atalhos, das Gambiarras. Repare bem, parece que o País, na verdade nunca saiu do lugar: sempre patinando, nas mesmas mazelas. Éramos crianças e escutávamos os mais velhos, nossos avós, tios, repetindo, já há 50 anos atrás, uma antiga ladainha sobre o Brasil, que não tinha jeito. O Brasil nunca teve jeito. E isso já encheu o saco. Uma hora vai ter. Às vezes, temos um “espasmo” de falsa prosperidade, mas tudo sempre muito ilusório , incipiente, acaba morrendo no caminho. Vai pra um lado, vai pra outro, aos trancos e barrancos o tempo vai seguindo célere, um festival de trapalhadas, e o rombo não só permanece, como é cada vez maior. Eternamente endividada, confusa, perversa, esta “sociedade” é um amontoado sem coesão, e apesar de um “Berço Esplêndido” que é um verdadeiro paraíso de riqueza incalculável, de uma beleza incomparável, tudo vai se degradando: Lixo, esgoto, criminalidade, roubalheira geral : tudo virou coloquial, corriqueiro, banal. Esta “sociedade”, que, sem um pacto de viabilidade real, arraigado, trata-se de um mero amontoado de pessoas, transforma-se numa filial do inferno na Terra, pois não se move em direção a nada, parece cachorro-morto, que nem adianta chutar. Por isso mesmo, não estou aqui para chutar esse cachorro-morto. Estou pra dizer que há esperança, pois uma hora a Roda da História vai andar, movida pelo único combustível que a faz girar: Sangue. E eu espero que não seja sangue do povo, mas sim de seus muitos malfeitores. O Brasil terá a sua Bastilha. Fundado como “Destêrro”, a Vera Cruz, Pátria Canarinha, foi receptáculo de todo tipo de facínoras e ladrões, esvaziando as masmorras lusitanas, oriundos de um resto-do-resto de uma Europa canalha para com as suas Colônias. Os nossos índios, que eram uma civilização limpa e legítima, foram repartidos em : homens, todos mortos por se recusarem a trabalhar para os brancos imundos e cheios de toda sorte de doenças da carne e do espírito ; mulheres, todas estupradas pelos facínoras. Restou o DNA indígena, o que já era e é para sempre uma vitória considerável da Raça Vermelha. Da África, para trabalharem como animais, vieram tribos inteiras, reinos destroçados em navios negreiros imundos, carregados de feridos e doentes, a ferro e a pau divididos ao chegar, apartando cônjujes, mães e avós, dos seus filhos, de seus maridos, numa crueldade, numa barbárie comparável às mais sórdidas de toda a mais ignóbil e desprezível História da Humanidade.  Mesmo assim, entre todos os absurdos, formou-se o Povo Brasileiro. Como dizia Ubaldo, Viva o Povo Brasileiro. Seu único defeito peculiar é ser paciente e pacífico, e ter esperado demais, fugindo do ranger da Roda da História  como o Diabo da Cruz. Mas ela vem aí. Porque não somos diferentes em nada dos outros povos: que grande titica os supra-sumos da Humanidade! O Sistema Financeiro Internacional é uma farsa, tudo é um grande cassino, os governos estão todos podres, e por mais que hajam honrosas exceções, o mundo vive de aparências e de propaganda enganosa: mais dia, menos dia, tudo cai. No nosso caso,porém, há peculiaridades.A gente não era pra estar tão mal assim. Foi preciso muito erro, muita incompetência, muita estratégia desastrosa, foi preciso mesmo perseverar firmemente nas coisas erradas pra pararmos no abismo onde estamos.

Como se tratava de uma terra pródiga, “que tudo dá”, esse povo de diversas procedências, foi recebendo correntes migratórias de outras etnias desgraçadas pelas guerras, pelo “Sangue que Move a Roda da História”, e por isso mesmo avessas ao seu ranger macabro – a caminho de tentar formar uma “sociedade” – coisa que jamais ocorreu de fato. Por pura inércia ou por preguiçosa tradição, ao longo dos séculos permaneceu o “Estado” como uma gigantesca teta : o maior empregador, o maior “player” de um “mercado” que jamais se desenvolveu: na realidade, as “Constituições” , conjuntos de regras normativas, sempre foram um simulacro. Tudo palhaçada. Palhaçada como a Previdência, onde um indivíduo deposita parte do seu esforço apostando na lisura do Estado. Mentira. Nada se cumpre, tudo é movediço como o samba. Reino da malemolência. Consagrou-se na realidade, na prática, a menor constituição do mundo, com apenas DUAS LEIS. ( menor do que a Constituiçao Americana, ao menos no que tange às leis ” que pegaram ” ) :

  1. A Lei DO MENOR ESFORÇO
  2. A Lei DE GÉRSON.

Corta para o ano de 2016.  Esse povo, um amontoado de gente sem nenhum amálgama social, habituou-se a explorar as riquezas, num cada-um-pra-si saqueador dos fartos recursos que sempre abundaram por aqui. O verbo abundar nunca foi tão adequado para um país. Multiplicação exponencial de uma população sem formação alguma + multiplicação exponencial de uma casta de parasitas. O povo brasileiro, usualmente alegre , não se reconhece mais, hoje anda cabisbaixo, olhando pro chão.

Como em todo mundo, proliferaram as varejeiras palacianas. Aqui, encontrando o seu habitat mais favorável do mundo, elas acabaram com o Brasil, e a carne do país está fétida, repleta de morotós. Esse é o fato : O Brasil que acostumamos a conhecer está morto. Talvez porque o velho “Estado” todo-poderoso faliu, e falido continuará com seu teatrinho de faz-de-conta : Brasília. Quem sabe uma outra idéia de país apareça por aqui. O lenga-lenga de que “o Brasil não tem jeito” só seria revogado no dia em que o Brasil estivesse no fundo do poço. Se não foi revogado ainda, é porque o fundo do poço ainda está a caminho.

Mas não percam a esperança : a Roda da História não para. Só precisa do seu combustível para ranger e espanar a ferrugem.

 

Essencia Barroca

Sou um apaixonado pela modernidade, mas não sinto necessidade imperiosa de ser moderno.

Quando eu olho pra onde meu coração olha, também me vejo lá no século XVII.

Isso é ser antigo ? Obsoleto ?  É ser aristocrático ? Retrógrado ?

Pertencer a um mundo mergulhado na barbárie é coisa de qual época ?

Perguntas que aprendí a fazer. Quem sou eu ?

Estes são os responsáveis : Papai,  François Couperin  e Wanda Landowska.

 

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Oráculo ?

Apostei com todas as fichas que Trump ganharia a eleição nos EUA, inclusive com fartas testemunhas.
Até em shows eu disse isso !
Todos os amigos sabem disso, apesar de a princípio eu não ter opinião muito favorável a respeito, e achar Hillary competentíssima, experiente,com todos os elementos para ser escolhida. Ela era muito mais “razoável”.
A adesão maciça do “elegante” Obama e da extraordinária Michelle, agora, na reta final, era uma “bandeira” de que nem tudo ia tão bem como as pesquisas eleitorais diziam, com uma vantagem que nunca “se abriu” de fato…
Livre- atirador (como o average-american tanto adora), “self-made”, Trump sempre trabalhou com o “emocional truculento”, que seu discurso espontaneamente tosco e sem rebuscamentos ou sutilezas jamais procurou “maquiar” com o polimento politicamente correto.
Por aqui, ninguém o achava razoável.
Mas isso não é novidade : o Brasil “erra muito”.
No Manhattan Connection, por exemplo, o Lucas Mendes, o Caio Blinder, o Mainardi, fazendo piadas e rindo do “carisma” de Trump, não souberam identificar essa possibilidade…
Isto que aconteceu era impossível.
Mas o mundo É UM REALITY ! (contrariando o raciocínio “razoável” de Obama).
O mundo real pode não querer o “discurso razoável” que tanto apraz à “diversidade majoritária”…

Aliás, toda a imprensa mundial se esmerou em realçar os defeitos de Donald, tratando o Empresário como um “bufão”.
E eu dizia : muito cuidado com os líderes carismáticos, com os supostos “ridículos”., os possíveis “bufões”…
A História atesta a todo momento esse fato: o mundo não escolhe pela razão aparente.
A “emoção imponderável”, a “explosão do discurso” na política, são fatores via de regra decisivos, e esses que “chamam a atenção” por serem “controversos” tendem sempre a ganhar.

A melhor escolha anti-Trump teria sido o Sanders. Este sim, com um discurso explosivo e polarizador. Hillary era o mesmo-do-mesmo, muita gente ficou no meio do caminho, sem se definir muito. Hillary pareceu anódina, insossa e amorfa, jamais disparou como deveria, como se esperava..
Trump conseguiu SER A NOTÍCIA, ser o EPICENTRO da eleição.
Nos discursos democratas, o assunto sempre foi Trump: não deu outra.
O mundo só tem falado de Trump, Trump, Trump…afinal, ele é um mestre nos “reality shows”, um monstro na comunicação, um especialista em jogos, e sabia muito bem o que estava fazendo.
Tudo é uma questão de moda : estamos assistindo aos estertores do “politicamente correto”, que foi uma “moda hegemônica” no período anterior. Mas não há nada de mais, as modas passam, simplesmente isso.

Quanto ao Brasil, meus amigos e filhos, minha mulher, todos sabem o que eu venho avisando… mas deixem isso pra lá, que não vem ao caso…

Oráculo ?
Nem tanto. Apenas um “atento pessimista”…
Apostar na estupidez humana é certeiro: o mundo sempre escolhe o que insiste em parecer ser “o pior”. Pode não parecer sensata a maneira que a realidade escolhe se apresentar.