Brasilia

Pela dimensão monumental do tapume divisório (o muro do impeachment ),

depreendia-se que as autoridades se preparavam para a possibilidade de um comparecimento de pelo menos 50 vezes mais gente na Esplanada.

muro Muro-Brasilia Snap1 Snap2 esplanada-muro-drone 4193169Pra nós, que somos da “geração BossaNova”, que assistimos toda essa história, com JK, Janio, Jango, 64, AI5, Diretas, Tancredo, Collor, FHC, Lula, etc…nada é novidade : Brasília se reafirma como uma capital-fantasia, um projeto magnífico de integração nacional, ( que até deu certo ) um sonho delirante tornado realidade a um custo estratosférico , ( o que inclui, até hoje, o seu funcionamento perdulariííssimo ) mas eternamente um mausoléu deplorável de desintegração de participações populares : manifestações sempre pífias, deixando muito a desejar pra um povo que precisa “ver a Roda da História” se mover, sair finalmente de sua habitual catatonia….
Fosse uma capital convencional, como Paris, Madrid, Londres, Tóquio, ou mesmo Buenos Aires ou Santiago, não teríamos sempre a mesma participação popular anódina, irrelevante, insípida, porque não dizer asséptica : manifestações populares em locais assim parecem coisa de laboratório . E são.
Foi essa a minha surpresa, uma “descoberta” quando entrei na FAU-USP , um sonho maravilhoso que eu acalentava desde o tempo dos Festivais, uma busca remanescente da velha Rua Maranhão, então transportado para um projeto incrível de Villanova Artigas, mas que havia sido despejado de propósito em uma Universidade urbanisticamente totalitária : grandes gramados de prudente distensão social/ideológica entre as escolas Politécnica, a Geografia, a Economia, as Comunicações, etc..
Eu começava a descobrir que nada disso jamais foi sem querer, ou ao acaso… Tudo armado.
Projetos político-paisagísticos de distensão em intermináveis gramados de platitudes neutralizadoras.
O espaço físico denuncia, assim, sua finalidade : ser palco de um teatro do real, mera representação imanente às funções pomposas escritas nas placas de suntuosos palácios…
O que se vê nessas cerimônias, nessas solenidades, os discursos, as pantomimas e deblaterações inflamadas, é tudo teatro, tudo de mentira, farsantes “jogando para a patuléia” , emoções de araque.

Por um instante, me veio um pressentimento estranho ao contemplar aquele muro interminável em frente aos 3 poderes…
Mas logo as minhas inquietações se aplacaram : o projeto de Brasília é infalível.
Tudo ali sempre serão gatos-pingados.
Os cidadãos comuns,como eu, como você, ali, não somos nada !
E sempre haverá uma segunda-feira em que o cotidiano recomeça, sem nenhuma novidade.