A Semiotica nas encruzilhadas politicas e sociais

Manhã de domingo, tempo de encruzilhada ( ou não ? )

Vejo à distancia a Paulista toda lambida de cartazes com a foto antiga de um lider sindical barbudo que não existe mais : o tempo passa para todos, como passou pra mim, e as pessoas vira-e-mexe me vêm com a frase : Eu lembro de você com aquele cabelão, etc… É a semiótica em ação. Paro pra refletir na imagem muito reproduzida daquela moça de óculos, presa num interrogatório político, fichada no DOPS, e que se tornou residente no Alvorada. Quando convém, abrem a gaveta e lá vem aquela foto nos cartazes, nas camisetas. Semiótica em ação. Lembro ainda dos caras-pintadas depondo um presidente: a força dos signos é maior do que qualquer discurso, e os teóricos estrategistas sabem disso. Líderes históricos são danados em truques e artimanhas com signos. Muito do fascínio das convulsões totalitárias do Século XX repousa na atração mórbida que a Humanidade apresenta em relação aos signos. Quanto mais elaborada a simbologia, mais o Mito se estabelece, e os Mitos são fabricados, são perpetuados em direta proporção com a eficiência de sua codificação semiótica.

Vejo que o “movimento” dedicado a este domingo tem uma semiótica indefinida, senão inexistente.

Não há movimento socio-político efetivo sem os devidos signos.

Talvez seja mesmo como a Revolução Francesa : de uma massa amorfa, com sua miséria em ignição, seu signo final foi a Guilhotina. Qual será o signo que ficará desta era no Brasil ? O Verde-Amarelo da bandeira iluminista e aristocrática basta ?

O velho Hino parnasiano é belo, apesar do rococó-de-salão de um “Grand Monde” que também não existe mais.

É isso mesmo ? Ou estou enganado ?